terça-feira, 17 de janeiro de 2012

LITERATURA LUSÓFONA - A METAPOESIA DE VERA DUARTE




A METAPOESIA CABOVERDIANA DE VERA DUARTE

Por: SILVANIA SILVEIRA



INTRODUÇÃO

            Difícil é a tarefa de resumir a extensa biografia da caboverdiana Vera Duarte em algumas linhas deste estudo. Embora seja uma mulher tão jovem quanto o sonho de liberdade que move os intelectuais e a Literatura da África pós-colonial, Vera Duarte mostra-se uma mulher amadurecida, sensível à realidade de sua nação, de seu povo constrito em um arquipélago e levanta seu vôo até os povos do além-mar. Vera se reveste de poesia para falar de sua paixão, ela é a própria paixão, paixão que liberta o pássaro fechado, paixão do eu indignado, paixão pelo outro indiferenciado, paixão-mulher de sonhos estilhaçados; paixão que se levanta de Arquipélago pulverizado, Arquipélago de Paixão,
            No cenário sociocultural de Cabo Verde, Vera Duarte foi juíza e agora é Ministra da Educação, ativista dos Direitos Humanos universais, vem realizando projetos e articulações políticas, ações efetivas que a tornarão eterna na memória da África e da humanidade pensante.
            A literatura da caboverdiana Vera Duarte retoma os caminhos dos seus antepassados, reivindica a justiça e a liberdade para sua gente, se insere nos temas dos poetas da Claridade, da literatura crioula, se situa nos “lugares revolucionários” afirmando-se como escrita de compromisso estético e político, própria da poética de seus contemporâneos, a chamada geração mirabílica, essa safra de “novísssimos poetas de Cabo Verde”, como classifica José Luis Hopffer Almada, resistentes ao desânimo de ver suas utopias estilhaçadas pela seca do deserto, pela fome, pela violência praticada com as mulheres e crianças, pela miséria decorrente da falta de emprego.
            Este modesto estudo sobre a escritora e poetisa Vera Duarte tomou como referência os estudos e entrevistas achados em sites da internet, mas sobretudo, achou-se dados mais substanciais nos estudos de Simone Caputo Gomes, em seu novíssimo livro Cabo Verde: literatura em chão de cultura. Achou-se por bem pesquisar o contexto geopolítico da cidade de Mindelo, em São Vicente, Cabo Verde já que a metapoesia da autora aqui estudada é a pura representação da utopia impregnada na memória social e política de sua gente. Assim, convida-se o leitor a percorrer a trajetória dessa incrível mulher e com ela conhecer os signos que construirão as novas memórias na cultura de Cabo Verde. 


A Trajetória de Vera Duarte


Mas sou e acho que vou continuar a ser sempre uma mulher de causas. Antes de mais esta grande causa da emancipação e promoção da mulher, mas na realidade de todas as causas de emancipação e promoção do ser humano na permanente busca da felicidade. [Vera Duarte] 

Vera Valentina Benrós de Melo Duarte Lobo de Pina, simplesmente Vera Duarte: juíza, militante da cultura crioula, das causas sociais e dos Direitos Humanos, tornou-se poetisa e hoje é uma das mais relevantes escritoras caboverdianas.
Vera Duarte nasceu em um mês de outubro (“Outubros”, como ela diz em seus poemas). Nasceu nos anos 1950, numa cidade chamada Mindelo, na ilha de São Vicente, uma dessas pequenitas ilhas de um arquipélago chamado Cabo Verde, situado no imenso Continente Africano.  
Concluí seus estudos liceais em sua terra natal, no único liceu do Barlavento[1], onde também estudaram os reconhecidos obreiros da independência nacional, Amílcar Cabral e o actual Presidente da República Pedro Pires, Liceu Nacional Infante D. Henrique, atual Escola Jorge Barbosa.
Após o liceu, foi para Portugal e lá foi graduada em Direito pela Universidade Clássica de Lisboa, no ano de 1978. De volta à pátria amada, Vera Duarte instalou residência na cidade da Praia (capital do país), para melhor atender aos encargos de diretora geral do Departamento de Estudos, Legislação e Documentação do Ministério da Justiça de Cabo Verde (1982-1985) e, mais tarde, de juíza desembargadora, conselheira do Supremo Tribunal de Justiça de Cabo Verde (1990-1998).  Orgulha-se de ter sido a primeira mulher a conquistar a magistratura em seu país. De fato, essa foi uma importante conquista, uma vez que até a independência de Cabo Verde (em 5 de Julho de 1975), tal carreira era vedada às mulheres.
Em 1995, Vera Duarte foi galardoada pelo então presidente português, Dr. Mário Soares, com o Prêmio Norte-Sul de Lisboa do Conselho da Europa, por suas atividades em prol dos Direitos Humanos e permaneceu membro deste Conselho até 1997. Foi membro do Conselho Superior da Magistratura, entre 1989-1990, e, em 1993, tornou-se membro e presidente da Comissão Africana dos Direitos do Homem e dos Povos e da Comissão Internacional de Juristas e como tal permaneceu até 1999.  Atualmente, é coordenadora do Comitê Nacional para os Direitos Humanos e a Cidadania de Cabo Verde (CNDCH) e Ministra da Educação e Ensino Superior de Cabo Verde[2].
Vera Duarte interessou-se pela literatura desde muito jovem, segundo ela própria, escrevia poesia às escondidas, escrevia e rasgava, dado que naquela época (anos 60) não se incentivava os jovens a escrever.
Só comecei a dar a conhecer a minha escrita por altura dos meus 18 anos, tendo começado a publicar em folhas soltas e suplemento literário de jornal. Com 21 anos, participei no Concurso Literário da Independência Nacional, tendo obtido uma menção honrosa e posso dizer que foi a partir dessa altura que passei a existir enquanto protagonista literário; este foi o meu 1º grande passo no mundo das letras. Não o disse a ninguém e foi com grande alegria que me vi distinguida por uma menção honrosa e a publicação dos meus poemas na colectânea “Jogos florais 76”. Foi a partir daí que se desencadeou todo o movimento a que fiz referência atrás.

Evidentemente, uma escritora com a consciência e o ativismo cultural no porte de Vera Duarte não se forma da noite para o dia. Perguntado a ela de onde vinha a sua vocação e quais influências sofreu a sua literatura, a “protagonista literária” responde:
Desde que eu me lembro de mim que gosto de ler. Li tudo o que me passou pelas mãos: revistas de quadradinhos, caprichos, romances cor-de-rosa, textos das selectas literárias utilizadas nas escolas, livros de aventura, romances para jovens e até por vezes os livros cuja leitura na época era proibida aos mais jovens, como por exemplo, os Maias de Eça de Queirós, que li aos 14 anos e, claro, às escondidas dos meus pais. [Vera Duarte, em entrevista concedida à Teresa Sofia Fortes, “Semana on-line”, 01-10-2005]

            E quanto às influências e apadrinhamentos, quem foram as pessoas que lhe franquearam as portas do mundo da literatura? – pergunta a entrevistadora Teresa Sofia Fortes – ao que Vera responde:
Tenho a sorte de as portas da literatura me terem sido abertas por três pessoas que considero dos maiores intelectuais vivos de Cabo Verde e dos PALOP. Antes de mais, o maior intelectual cabo-verdiano vivo e a viver em Cabo Verde, Arnaldo França, um ser humano de excepção, que considero um modelo de integridade e dignidade, que desde 75 me vem estimulando e alentando para escrever. Dos momentos de maior felicidade literária que eu tive - e graças a Deus foram vários - foi quando ele me comparou à Florbela Espanca e quando me considerou um dos pilares da literatura cabo-verdiana (que obviamente sei que não sou, mas, como dizem os franceses, “ça chauffe l’ego”. Também esse outro vulto maior da nossa literatura, Luís Romano que há muitos anos vive no Brasil e por quem nutro enorme ternura e que escreveu coisas lindíssimas a respeito da minha escrita desde os anos 70. Finalmente, o escritor angolano Luandino Vieira, que já me dedicou um livrinho e que quando eu ganhei a menção honrosa nos jogos Florais 76, sem me conhecer, escreveu-me a carta mais linda de incentivo que qualquer principiante pode desejar. Depois, há uma galeria muito grande de homens e mulheres generosos que me têm acarinhado e incentivado e de que só vou destacar alguns por serem mais conhecidos no mundo da literatura como Fátima Bettencourt, Dina Salústio, Corsino Fortes, Osvaldo Osório e Tomé Varela (que me dedicou, com Eugénio Tavares, um livro de poemas), Ondina Ferreira, Mário Fonseca, Simone Caputo Gomes e Cármen Lúcia Tindó Secco (brasileiras), Ana Mafalda Leite e Estela Lamas (portuguesas), Françoise e Jean-Michel (franceses que têm dedicado uma carinhosa atenção às letras cabo-verdianas) e muitos outros.

            Com relação às atividades de carater social, Vera Duarte diz que a situação de pobreza, a violência contra as mulheres (em maior ou menor escala), a discriminação racial foram fatores influentes em sua literatura, uma preocupação que carrega consigo desde os tempos de liceu e que a fizeram desenvolver “algum ativismo social”, inclusive, chegou a produzir com os colegas um programa de rádio de intervenção.
O reconhecimento pelas atividades profissionais, cívicas e literárias demorou, mas chegou farto e merecidamente. Vera Duarte é uma das mulheres africana mais bem reconhecida mundialmente, seu currículo é ilustrado com muitos prêmios.  Escritora, jurista, preocupada com as questões ligadas à mulher, à cultura e ativista dos Direitos Humanos, já havia sido incluída no The World Who’s Who of Woman (1984 e 1986) e no International Register of  Profiles (1985). Também já havia recebido do presidente português Dr. Mário Soares o “Prêmio Norte-Sul dos Direitos Humanos de Lisboa”, do Centro Norte-Sul do Conselho da Europa (1995). Enquanto membro da “Comissão Africana dos Direitos do Homem e dos Povos” e da “Comissão Internacional de Juristas”, recebeu o prêmio pela Distinção Máxima em Pioneirismo Feminino (1995). E há poucos anos, recebeu a “Medalha de Mérito Cultural” pelo 30º Aniversário da Independência de Cabo Verde (2005).
            Afora a publicação da coletânea Jogos florais 76 - como prêmio de 1º lugar no  Concurso Literário da Independência Nacional - a maturidade literária de Vera Duarte começa a se revelar a partir da publicação de  Amanhã Amadrugada (1993)  pela  editora Vega, Portugal. Amanhã Amadrugada: trata-se de sua estréia, um livro estruturado com 59 textos divididos em 4 “Cadernos”, nota-se, com dificuldade, a interpenetração dos gêneros poesia e prosa.
            Em 2001, Vera Duarte “explode-se” em signos de paixão e poesia. O Arquipélago da Paixão, publicado pela Artiletra, Mindelo, e no ano de 2001 recebe  Prémio de Poesia Africana Tchicaya U Tam’ Si  (Prix Tchicaya U Tam’Si de Poésie Africaine). Segundo a pesquisadora Simone Caputo Gomes[3], O Arquipélago da Paixão “ retoma rotas traçadas na obra anterior, Amanhã Amadrugada, e aprofunda navegações e reflexões, evidenciando a intenção da poeta em continuar realizando um projeto que contempla os níveis existencial, nacional e universal, sob o signo da Paixão. Paixão que domina e que liberta, paixão do eu, paixão do outro, paixão-mulher; paixão do Arquipélago, Arquipélago de Paixão”.  A pesquisadora escreveu o prefácio do livro Arquipélago de Paixão e em seu livro -  Cabo Verde: literatura em chão de cultura, Cotia, SP: Ateliê Editorial, 2008 – ela apresenta uma análise detalhada e comparada das literaturas não só de Vera Duarte como também dos vultos mais expressivos da cultura caboverdiana. Assim, mais a seguir, serão tomadas algumas das elucidações de Simone Caputo Gomes para este humilde estudo.
Prosseguindo sua trajetória literária, Vera Duarte faz sua estréia em prosa, publicando A Candidata, pela União dos Escritores Angolanos, Angola, em 2003. No mesmo ano, recebe o prêmio instituído pela petrolífera angolana Sonangol,  “Prêmio Sonangol de Literatura 2003”, destinado a recompensar obras inéditas de autores de Angola, Cabo Verde e S. Tomé e Príncipe. Vera Duarte dividiu o prêmio monetário de 25 mil dólares com o escritor angolano Adriano Botelho de Vasconcelos,  que participou com a obra “Tabu”.  
O livro A candidata conta a história da “formação e do evoluir da conscientização política de uma heroína que se afirma como uma mulher ativa, solidária e participativa, quer na luta de libertação nacional, quer na luta pela defesa dos direitos humanos a nível global”, analisa o presidente do júri, Corsino Fortes.  Nessa esteira, a entrevistadora Teresa Sofia Fortes (revista “Semana on-line”, de 01-10-2005) pergunta: Em 2003, foi galardoada com o Prémio Sonangol de Literatura pela sua obra “A Candidata”. Acha que um dia vamos ter uma candidata à Presidência da República em Cabo Verde? – a que Vera Duarte responde:

- Acho que sim. O Século XX registrou avanços formidáveis no estatuto da mulher, o século XXI está a ser considerado o século da mulher. Em muitos países o empoderamento político da mulher está a ser uma realidade cada vez mais irreversível e muitos desses países, com a Noruega à cabeça, são os mais desenvolvidos do mundo. Na mais poderosa democracia do mundo, os Estados Unidos da América, prevê-se que o duelo eleitoral para as presidenciais em 2008 seja travado entre duas mulheres poderosas: Condoleeza Rice e Hillary Clinton. Por que não Cabo Verde?
Defendo acerrimamente o empoderamento político, económico e social da mulher porque entendo que o ser humano deve ser livre e igual e que a verdadeira felicidade  só é possível em liberdade, igualdade e dignidade. O acesso da mulher ao poder deverá contribuir para que o poder seja exercido no interesse do bem-estar das pessoas e do desenvolvimento dos países e evitar as tentações do abuso do poder.

Em 2005, mais uma incursão poética, Preces e Súplicas ou os Cânticos da Desesperança. A obra, bastante referenciada, foi publicada pelo Instituto Piaget, Portugal. Consta de “belos textos explicativos”: advertência e posfácio da própria Vera Duarte, apresentação por Carmem Tindó Ribeiro Secco e prefácio de Estela Pinto Ribeiro Lamas.  Lê-se dos comentários e análises de Simone Caputo Gomes (In: Cabo Verde: literatura em chão de cultura, p. 59-60) o seguinte:
Em meio à desesperança agônica da era pós-industrial, persiste nos textos de Vera Duarte um grito de amor à África (“continente condenado”, símbolo da “esperança em derrocada”, pp.76 e 87) e pela salvação da humanidade (“mundo aviltado”, p. 76). De joelhos, “em hinos de súplica e esperança”, Vera canta “a poesia dos excluídos” (pp.59 e 63), à luz desse contexto de acelerada degradação das condições de existência. As preces e súplicas de Vera Duarte anseiam por um “novo holocausto” que “devolva os homens/ Aos ideais” (p.77) e os redima dos sofrimentos antigos e multiformes que mataram sonhos e esperanças/ E destruíram as utopias” (p. 76), tornando as cidades “Canaãs inacessíveis”. [...]

[...] Vera Duarte aponta nas trilhas a percorrer para minorar o desespero da “mais escandalosa indigência de muitos a solidariedade” de alguns, a esperança última (“sopro vital”) para a sobrevivência do humano, que ficará presa na borda da ânfora aberta por Pandora [...]

[...] Obedecendo a uma perspectiva temporal, o canto de Vera Duarte parte das súplicas de tristeza e desespero (“Primeiro as súplicas”, transforma-se em preces (“Agora as preces”) que denunciam, num crescendo, a  “impotência” (pp. 52, 53, 70, 87), a “culpa” (pp. 68-69), a “vergonha” (p.72), a “revolta silenciada, a humilhação, o ódio, a cólera” que explode em “maldição” (p.81), e retorna circularmente ao “desespero do grito que não soa, da voz que não tem eco” (p. 82), da “palavra de dor/ presa na garganta” (p. 84).

[...] A partir deste gancho, que recupera os encantos positivos de uma Pandora ainda inocente, Vera Duarte pode chegar ao seu “Cântico Final Redentor” [...] Com a “esperança que nasce, que cresce, que vai renascer” (pp.72-73) e que move a ação, finaliza a poeta (p. 104):
Poema é[...} / luta dos homens pela vida
Poderemos
Eu, tu e todos os outros
Escrever poemas
Sentar-nos-emos
Na roda de poetas
Sentar-nos-emos todos
Numa insurreição de palavras
Geradora e fecundante
De um tempo novo e redimido
E esconjuraremos juntos
As desgraças do
Tempo que passa
Gloriosamente recusando
A sorte
A morte
E todos os sacrilégios.

(Vera Duarte, Preces e Súplicas ou os Cânticos da desesperança, aput Simone Caputo Gomes, em Cabo Verde: literatura em chão de cultura, p. 59-60)

Atualmente, Vera Duarte é Presidente da “Associação Cabo-Verdiana de Mulheres Juristas” (AMJ), integrante do “Comitê Executivo da Comissão Internacional de Juristas”, além de fazer parte de várias associações oriundas da sociedade civil cabo-verdiana, nomeadamente a Associação de Escritores Cabo-Verdianos (AEC). Carrega consigo o lema de vida bastante coerente: Liberdade, Justiça, Paz e Amor e luta com toda a esperança de conquistar os direitos civis dos seus semelhantes.


  A Mindelo de São Vicente: aspectos geopolíticos.

Antes de se debruçar sobre a obra de Vera Duarte, julga-se necessário  abrir e fechar parênteses neste estudo, para que se possa situar melhor os contextos geopolítico de Mindelo (São Vicente), região onde a escritora nasceu e viveu sua juventude, sobretudo, para que se possa entender melhor os fatores mais influentes e sobressalentes de sua literatura.
(A cidade de Mindelo localiza-se na ilha de São Vicente, é a segunda maior cidade de Cabo Verde. Ocupa uma área total de 67 km² a noroeste da ilha, na Baía do Porto Grande, porto natural formado pela cratera submarina de um vulcão com cerca de 4 km de diâmetro. O Ilhéu dos Pássaros, com 82 metros de altitude e que hospeda um pequeno farol, sinaliza a outra extremidade da cratera. Atualmente, Mindelo encontra-se em próspero desenvolvimento, sobretudo graças ao seu porto de águas profundas — o Porto Grande — que serve de escala transatlântica para navios de todas as nacionalidades. Em Mindelo respira-se uma atmosfera muito própria, um ar cosmopolitano trazido pelo Porto Grande, atmosfera única e indissociável do calor humano e da hospitalidade de sua gente. Ao clima ameno,  de temperatura suave, juntam-se o arranjo cuidado dos lugares públicos, o património histórico bem preservado e um movimento cultural permanente. Confere-se a cidade o rótulo de capital da diversão do país: bons restaurantes, frequentes animações com música ao vivo e, sobretudo, uma agradável convivência que a gente dali procura e cultiva.
 Por outro lado, escreve o historiador do site Wikpédia,  vista à distância, a história de São Vicente e da sua cidade pouco mais parece que uma sucessão de desastres, se se exceptuar o facto do porto carvoeiro, e tudo que a ele ficou associado em termos de grandeza e miséria, ter tido o poder de criar nos filhos de todas as ilhas que ali se juntaram uma grande consciência de identidade que as crises, e também as desatenções do poder, mais não fizeram do que aprofundar [4].


A carvoeira East India teria uma presença efêmera em Mindelo, não fosse a Royal Mail Steam Packet iniciar a instalação de depósitos de carvão, em 1850. Em vista da necessidade de abastecer a navegação que por ali passava com destino ao Atlântico Sul, logo se teve que dotar a ilha de uma alfândega própria. Em Março de 1852 o Governo desanexa São Vicente de Santo Antão, constituindo um concelho independente, tanto mais que no ano seguinte a companhia inglesa Visgent Miller veio instalar novo depósito de carvão de pedra. Patent Fuel, Thomas & Miller e MacLoud & Martin são outras empresas carvoeiras em actividade.
Conforme o historiador da Wikepédia, há uma tendência a considerar o período entre 1850 e 1900 como uma época áurea e de abundância generalizada na cidade de Mindelo. Porém, refuta-se,  a realidade desmente esse mito:
Durante os cerca de 50 anos em que Mindelo vive uma aparência de bem-estar, a população trabalhadora é sujeita a empregos violentos e precários, baixos salários e uma ausência completa de protecção social. Vivendo em habitações que mais não são do que acanhados cubículos infectos e sem o mínimo de condições higiénicas, porque as infra-estruturas de saneamento básico da cidade eram praticamente inexistentes, com os dejectos a serem transportados em latas todos os dias cerca das 9 horas da noite e despejados nas latrinas junto à praia da cidade.

Testemunhos dos viajantes que debandavam da cidade, naquela época,  confirmam que os habitantes em torno do cais viviam modestamente, pra não dizer miseravelmente, pelo que são compreensíveis os expedientes de sobrevivência a que recorriam. Assim que chegavam os navios,  eram rapidamente rodeados por pequenos botes conduzidos por um magote de remadores, os quais tentavam sobreviver vendendo frutas, doces e curiosidades da terra; escapuliam dos guardas da Alfândega e subiam aos convés dos navios, não só para tentar vender os seus produtos como também para comprar cigarros, tabacos e bebidas alcoólicas e os revenderem em terra firme. Tais façanhas dos miseráveis do cais estendia-se também à cidade que acabava por ganhar má fama nas demais ilhas do arquipélago, consideravam a cidade de Mindelo uma terra de perdição.
Por fim, o carregamento do carvão, impondo aos trabalhadores a respiração quotidiana de poeiras, revela-se um foco poderoso de tuberculização da classe operária. Por outro lado, as promíscuas condições de habitação encarregam-se de expandir a doença pelos bairros pobres da cidade. Acrescente-se a isso, o  elevado movimento de navios nos portos e os que deles  e a partir deles sobrevivem... Enfim,  Mindelo é uma cidade onde a prostituição atinge índices elevados e com ela as doenças venéreas. E a mais grave de todas, a mortífera sífilis, acaba por entrar e propagar-se por todo o arquipélago devido às ligações constantes entre Mindelo e as outras ilhas do arquipélago.
Ao final dos do século XIX  o Porto Grande começa progressivamente a ser confrontado com um abrandamento da procura externa, situação agravada pelas divergências entre Portugal e o Reino Unido quanto à partilha da África e pela cobrança do Governo do altos impostos. Mindelo ficou sem condições para competir com portos rivais como Las Palmas ou Dakar.
Em Abril de 1891 a Câmara Municipal comunica os números alarmantes de desenprego: 2 mil trabalhadores foram despedidos pelas companhias carvoeiras. A fome começava a ameaçar a cidade e no início do século XX  o desemprego já era uma constante e com ele o espectro da fome e dos  dramas sociais (Vê-se esta situação desnudada nas obras Chiquinho, de Baltasar Lopes, e o Galo Cantou na Baía,  de Manuel Lopes).
Em 1910, dá-se a implantação da República em Portugal, entretanto, eram as  associações de beneméritos que se encarregam de ajudar os famintos de Mindelo e São Vicente, enviando navios carregados de mantimentos vários. A associação Amor e Caridade, da cidade brasileira de Santos (SP) foi particularmente solidária àquela época. Dois anos após a implantação da República, devido à falta de chuva e a insuficiência de trabalho no Porto Grande a situação agravou-se ainda mais, cerca de 4 mil trabalhadores do carvão ocuparam o edifício municipal e a praça da República, exigindo que fossem tomadas providências para minimizar a crise alimentícia. Assim relata o historiador da Wikepédia:
Embora com grande irregularidade, o início dos anos de 1920 conhece algum movimento no porto e em Abril de 1922 a cidade ainda recebeu efusivamente os aviadores Gago Coutinho e Sacadura Cabral, que, a bordo de um hidroavião, faziam a primeira travessia aérea do Atlântico Sul e tinham escolhido a baía do Porto Grande para fazerem uma amaragem. Porém, em breve a cidade regressa à tragédia que a consome, com o mal do desemprego conduzindo ao mais desenfreado alcoolismo. De tal forma que em 1924, a pedido de numerosas pessoas de Mindelo, o governador decretou a proibição da entrada de toda e qualquer aguardente em São Vicente, a fim de impedir a destruição completa da população já depauperada pela falta de mantimentos[5].

Os anos 30 do século XX foram ainda mais duros para a famigerada cidade de Mindelo. O declinio do movimento de navios trouxe como consequência  a grande depressão das economias ocidentais. A Câmara Municipal enviou ao Governo incansáveis pedidos de  de investimentos no  Porto Grande, e teria que ser investimentos de vulto para que o Porto voltassem a ser competitivo. Em vão. Nada de substancial resultou dessas diligências e o movimento do Porto Grande ficou quase paralisado. Tal “surdez” do governo central levou o  povo a reclamar justiça. No dia 7 de Junho de 1934, o povo saiu em passeata pela cidade, gritando a sua fome e saqueando as lojas e armazéns do Estado e dos comerciantes. Diz-se que “a voz do povo é a voz de Deus”, assim, a ação rebelde da gente de Midelo tornou-se  memorável,  pois que, na dolorosa história das ilhas de Cabo Verde, não há nenhum outro exemplo do povo cabo-verdiano em confronto aberto com o poder, a exigir o seu direito a uma existência digna.
Ás secas dos anos 1930 sussederam-se outras ainda piores. De 1941-42 e 1946-48 a fome foi ainda mais trágica em Cabo Verde, provocou milhares de mortos e forçou à emigração maciça (conta-se de uma redução de cerca de 30% da população caboverdeana). As mornas relatam aqueles tempos difíceis em que multidões exauridas pela fome acotovelavam-se nos porões dos navios rumo a uma oportunidade de sobrevivência nas roças de São Tomé. Metade dos que foram para São Tomé eram trabalhadores forçados e apenas uma minoria conseguiu regressar.

Embora a vida em Mindelo se apresentasse tão trágica e difícil, nas outras ilhas não se apresentava mais fácil, ao contrário. Havia se criado um mito de que Porto Grande  era fonte inesgotável de emprego (ou da falta dele),  havia os grandes  navios que transportavam toda gente para outras terras mais distantes, assim, Mindelo foi insuflada, passou a ser receptáculo de Cabo-Verde, estação de verdadeiras populações provenientes de todas as ilhas do arquipélago.
Outra e última observação importantíssima ao nosso estudo da literatura caboverdeana é o fato de que  o único liceu do Barlavento localizar-se em Mindelo, uma realidade positiva, pois  lá se formou uma grande concentração de intelectuais do arquipélago, fato este que evidentemente contribuiu para o desenvolvimento da consciência nacional caboverdiana. Os articuladores da independência nacional, incluindo o revolucionário Amílcar Cabral e o atual Presidente da República de Cabo Verde, Pedro Pires, estudaram no Liceu Nacional Infante D. Henrique, atual Escola Jorge Barbosa).
Dentre tantos intelectuais que concluiram seu estudos liceais em Mindelo-São Vicente, cita-se, é claro, a atual Ministra da Educação Superior de Cabo Verde,  Vera Duarte. Não poderia ser outra senão a fiel  apologista  do sonho, a  representação feminina da  paixão, paixão pelo Arquipélago, Arquipélago da Paixão.




O Arquipélago da Paixão:
a metapoesia de Vera Duarte

Passada a grande euforia da Independência ao colonialismo português, os ânimos dos intelectuais africanos se arrefeceram, as ideologias ficaram moribundas. Felizmente, qual a Fênix, ressurgiu uma nova geração de promotores da esperança. Entre o final dos anos 1980 e início de 1990, as novas gerações de escritores cabo-verdianos iniciam a denúncia do vazio cultural no Arquipélago. A fome e a miséria pareciam se perpetuarem e os escritores e poetas do Movimento Claridoso acharam um espaço revolucionário para expurgarem seus conflitos, inquietações, frustrações, via textos jornalísticos e literários. Desse modo, a literatura geral dos caboverdianos é revestida de forte apelo às ideologias que animaram a poética da Independência, é um apelo dramático dos “escritores da esperança” à criação de “espaços de novas memórias”.
José Luis Hopfter Almada foi o organizador de uma antologia publicada em 1991, intitulada Mirabilis: de veias ao sol. A antologia reúne os “novíssimos poetas de Cabo Verde”. Em vista do não cumprimento das promessas de justiça social, após a Independência, a seca, a fome, a miséria, gera-se um clima de decepção e escassez de ideais dentre os escritores caboverdeanos. Contudo, alguém teve a feliz lembrança de uma planta insistente, que cresce na escassez do deserto, denominada mirabilis. Daí se fez a analogia: tal qual a mirabilis do deserto, a geração mirabílica oferece resistência poética a esses anos de “mau tempo literário”. Na apresentação da antologia, o organizador refere-se aos “novíssimos poetas” e as suas profundas reflexões sobre o Cabo Verde de hoje:

Fustigada pelos ventos (da incompreensão!), pelo sol (da hipocrisia!), pelos tempos vários do mau tempo literário, desse tempo querendo-se vegetação literária. No deserto, cresce a geração mirabílica, feita signo na margem desértica do mar. De veias ao sol. As veias da indagação. As veias alagadas da terra das estradas, da poeira do dia-a-dia, do massapé dos campos, do lixo dos caminhos suburbanos, do desespero recoberto de moscas, baratas e outros vermes. As veias loucas do mar, do marítimo lirismo dos dias afogados nos ciúmes dos montes. As veias, veias de vida, de morte, de desespero, das quatro estações místicas do que se medita no refúgio do silêncio. Veias do camponês e da enxada neste coito de séculos com a terra. Ao sol, hipócrita por entre a bruma e os cerros. Sol, signo de luz. Sol que ilumina. Sol que queima e ofusca o caminhar. Sol dependurado da perseverança secular. Mirabilis – de veias ao sol. Geração mirabílica indagando o sol. “No Deserto cresce a Mirabilis”. Diz o poeta Orlando Rodrigues. “Embora de veias ao sol”. Adita Rodrigo de Sousa, para que das imagens do deserto cresçam as palavras da nossa geração e delas reste, ao menos, o cadáver da poesia. Sugere Mito, o poeta plástico, ou que o cadáver se metamorfoseie em flor e espinho, num panorama azul, de onírico, sugere Mito, o plástico poeta. Uma única rosa é a Mirabilis, e dela queda um sol de sangue. O sol da poesia mirabílica. [José Luis Hopffer Almada, apud Carmem Lúcia Tindó Secco, em Algumas tendências da poesia cabo-verdiana hoje, disponível em: http://www.confrariado vento.com/revista/numero18/ensaio04.htm.]

Entre os poetas da ração mirabílica estão Dina Salústio, Vera Duarte e outras que se enveredaram por essa vertente da poética feminina caboverdiana. No livro O arquipélago da paixão, o amor incondicional de Vera Duarte a Cabo Verde e à literatura das ilhas através das epígrafes dedicadas aos poetas, ora do passado claridoso, ora aos seus pares contemporâneos é perpetuado. Nota-se, em sua  literatura, as inquietações, os conflitos e as mudanças temáticas em concordância absoluta com os contextos da história de sua nação: da colônia à independência, do sonho utópico às frustrações, as irrealizações políticas e sociais da liberdade desejada. É a poesia sentinela estendendo seu olhar crítico sobre os problemas inerentes aos povos africanos, é a própria poesia, em representação metalingüística das indefinições de um jovem país em construção.
Vera Duarte é a voz feminina e apaixonada do Arquipélago. É ela quem inaugura um universo poético assinalado pela “cumplicidade das fêmeas”, conforme se lê no ensaio de Carmem Lucia Tindó Secco[6] :

[...] choro da dor de me saber mulher feita não para amar mas para ser amada. Choro porque sou e amo. [...] Sinto-me esvaziada, tiranizada, violentada. E meu ser nascido livre se revolta. [...] Por isso quero desvendar os universos proibidos e purificar-me.

  
Inaugura o universo no qual a mulher almeja ser sujeito de seu próprio desejo:
DESEJOS

Queria ser um poema lindo
         cheirando a terra
         com sabor a cana

Queria ver morrer assassinado
         um tempo de luto
         de homens indignos

Queria desabrochar
         — flor rubra —       
         do chão fecundado da terra
         ver raiar a aurora transparente
         ser ‘bera d´julion
         em tempo de são João
         nos anos de fartura d´espiga d´midje
 E ser
     riso
       flor
         fragrante
em cânticos na manhã renovada.

            As metáforas marítimas sempre estiveram presentes nas composições dos caboverdeanos. Nas primeiras gerações, o oceano aparecia como elemento enclausurador. As mulheres encontravam-se presas ao cais, esperando, submissas, os amantes, filhos e maridos que saíam para a pesca da baleia, emigravam para a América ou iam estudar em Portugal. Como explica Carmem Lúcia Tindó Secco[7] : “o mar como magma da memória e do Inconsciente feminino é uma conquista da novíssima poesia caboverdiana que persegue os labirintos interiores do desejo da mulher-poeta”. E Vera Duarte é a representação poética dessa mulher atual, cujos versos assinalam o direito feminino à eroticidade do próprio corpo e da voz. Em Arquipélago da Paixão, o poema “Corpoamor” é um grito de êxtase - “bô ê nha ôme” [...] “Bó é nha omí” – que se repete como uma canção do eu ágil, solto e livre:
[...]
Quando
         Em êxtase
Cavalgo pelas estepes agrestes
Do teu corpo perfeito
        Bô ê nha ôme [...]

Tu és guiné
E és Berlim
Tu és praia
E és salamansa
Tu és Nicarágua
E és mi hombre

Quero ter-te em paixão
Com sabor do maracujá
Que me enlouquece os sentidos [...]

Por teu corpo de homem
Me faço e refaço
Desfaço e renasço [...]

Teu corpo  é corpo de homem
Onde deságua meu rio mulher
Tu est mon homme [...]
Du bist mein man,
You are my man[…]
Bo é nha ómi

[...]
Analisando o poema “Corpoamor”, Simone Caputo Gomes[8] escreve: “Fica-nos o refrão na memória, enquanto o eu lírico feminino, de corpo ressignificado, apoteoticamente ouve a música da terra (o batuque de Santiago, executado somente por mulheres, sensual, telúrico e dança, no momento do encontro de corpos, almas e febres:

E quando meu corpo renascido
suadamente repousar sobre o teu
ouvirei o som distante
de um batuque original
nas batidas de teu coração
e em teu ventre liso e marinho
abrirei uma clareira luminosa
onde dançarei
          nua e voluptuosa
essa dança tão africana de alegria
           de amor
                       e de júbilo
Bó é nha ómi
Bo é nha ómi.

[Vera Duarte. Arquipélago da paixão, “Corpoamor”]

As obras de Vera Duarte abrangem outros caminhos, apresenta novos paradigmas ao corpo literário cabo-verdiano. A ênfase dada à situação da mulher, oprimida e excluída, sua defesa incontestável dos direitos humanos, da liberdade e da justiça, a alta maturidade de sua poesia abarca os problemas universais e a eleva como destaques das letras do arquipélago. Esta "mulher de causas" possui uma obra relevante que se insere em um quadro mutável, imprevisível e belo, tendo a literatura, a paisagem e a mulher cabo-verdianas como sementes fecundadas na esperança de um novo mundo.
Mário Fonseca foi uma das personalidades importantes em termos literários, é articulista da revista Seló (1962, dois números), uma revista de temática social.  Ele também ele é lembrado no Arquipélago da Paixão com o poema dedicado à liberdade, às conquistas de todos os povos e às mulheres. Em "Ortodoxias em desagregação", a poeta mergulha pés e mãos em solo crioulo, e se abre para o mundo. O eu lírico é um manifesto em defesa da justiça, da alegria nas inúmeras vitórias em todas as partes e em todas as épocas: O fascínio vem-me de longe / de tudo o que foi esperança / desde o início dos tempos (DUARTE, 2001, p. 59).

ORTODOXIA EM DESAGREGAÇÃO

O fascínio vem-me
Dos momentos iniciáticos
Que incendiaram o coração dos homens.

Das revoltas dos escravos
Dos outubros de dezessete
Dos maios subversivos
Dos abris
Todos os abris
E das mulheres que ousaram
Das mulheres que fizeram [...]

Quero poder ouvir
Para sempre
As canções heróicas
Que deram som às revoluções
Cantar os hinos
Todos os hinos
De todas as épocas
De todas as gestas libertárias

Quero poder
Por meus pés
Cruzar ares
Cruzar mares
Conhecer gentes
Visitar povos
Cantar independências
E tudo que cheirar a liberdade

[...]
o que quero ter nos braços
é a idéia de ter
e poder cantar abril
e cantar independências
e cantar o orgulho de ser-se Povo
cantar a glória de ser-se Nação.
    


Para Vera Duarte, Arnaldo França, colaborador da Claridade, é "o maior intelectual vivo e a viver em Cabo Verde", e dedica o poema "A alma - ato primeiro d'A Trilogia do Amor". O eu lírico denota todo o seu amor e entrega ao arquipélago, numa viagem intimista após "desvendado o segredo do amor" a proposta da evasão apenas no universo onírico: "quero permanecer na ilha / e navegar apenas em sonhos". Assim, o eu lírico ultrapassa a polêmica evasão/emigração, "não quero mais partir!", ao declarar toda “tristeza e raiva pela miséria, o ódio pelo genocídio, a guerra, a fome, o sida (AIDS), a solidariedade para além de uma insularidade que se ‘fecha’ na passividade da evasão, fazendo ponte ativa com o universal’, como se confere em Cabo Verde: literatura em chão de cultura, p.254:

De malas desfeitas
quebrarei na ilha
a prisão das ilhas
e voarei para lá do horizonte
com os pés fincados na areia
que abrigou nossos corpos em festa.

Outro tema relevante na tradicional literatura crioula caboverdiana são as chuvas, ou a falta dela. Porque a partir desse tema desencadeiam-se outros: a seca, a fome, o trabalho, a insalubridade, a emigração. Como não podia deixar de ser, o tema “chuva” é recorrente em vários discursos de Vera Duarte, principalmente porque é ela a representante máxima dos Direitos Humanos e das causas sociais de Cabo Verde. 
CHUVA

 Quero olhar-te com obcecação
até que meus olhos se fartem
da beleza muda
de tuas rochas pedindo chuva

chuva! chuva!
poemas de chuva caindo
vozes pedindo chuva
bocas sedentas
terra à espera de chuva

o chão queimou-se ao sol
as vozes calaram-se
e os poemas esqueceram-na
 as dores avolumaram-se
mas a chuva não veio
transformar em alegria
a longa angustiada espera

mamãe!
quero enfim descansar
embala-me em teu regaço
e conta-me aquela história linda
do ano das boas “às águas”

  
 Em resposta a José Luis Hopffer Almada, em uma das epígrafes do Arquipélago da Paixão, Vera Duarte propõe o abandono do olhar amargurado, triste e conformado sobre a falta de chuva, a seca, o isolamento em ilha, a evasão/anti-evasão, e lança um novo canto de esperança e alegria:


AI SE UM DIA

Ai se em outubro chovesse
a terra molhasse
o milho crescesse
e a fome acabasse
Ai se o homem sorrisse
a terra molhasse
a fome acabasse
e a chuva caísse

Ai se um dia...

Acordemos, camaradas,
As chuvas de outubro não existem!
O que existe
É o suor cansado
Dos homens que querem

O que existe
É a busca constante
Do pão que abundante virá

Homens, mulheres, crianças
Na pátria livre libertada
Plantando mil milharais
Serão a chuva caindo
Na nossa terra explorada


"Quero
Um canto diferente
Para Cabo Verde

Já não somos
Os flagelados do vento leste
Dominamos os ventos
Já não somos os contratados
Como animais de carga para o Sul
Conquistamos a dignidade de gente

Por isso
Vou cantar
De forma diferente
Para esta pátria do Meio do Mar
Vou esquecer, enterrar
Os lamentos, as lamúrias
A tristeza
De quem quer ficar
Com o destino de ter de partir
Não vou chorar
A pobreza, a fraqueza
A seca
A natureza madrasta

Canto
Para este povo
Um canto de alegria"

(Simone Caputo Gomes. “Marcas da diferença” (ensaio), p.168-169.)


Ao poeta Oswaldo Osório colaborador das revistas Certeza e Seló, o eu lírico retoma questões tratadas no primeiro caderno, "Da impossibilidade do amor", reflete e denuncia a dor sofrida pela mulher, dos espancamentos feitos pelos companheiros, da miserável relação entre amor e morte. Divaga com inquietação, "confusa me pergunto se o amor rima com escravidão, submissão, humilhação", indaga o destino cruel reservado:

Até quando
viver prisioneiro
nas malhas da paixão
converter-se de humano a farrapo
no destino caótico de vidas
que a vida nada reservou.


            Para Vera Duarte a presença de autoria feminina na literatura cabo-verdiana é discreta, como em diversos campos da sociedade apesar da mulher constituir 52% da população do arquipélago. Constata-se a ausência de escritoras nos movimentos literários em boa parte do século XX, contudo a situação começa a ser resolvida com nomes significativos que consolidam seu espaço na pós-independência, dando voz à mulher e à condição feminina, seus anseios e seus dramas com extrema qualidade. Vera comenta a participação das mulheres no corpo literário cabo-verdiano num trecho de uma entrevista à jornalista literária Teresa Sofia Fortes :

Pode-se afirmar que Cabo Verde tem uma literatura de cunho feminino, ou
esta é também uma outra área ainda dominada pelos homens?

- A Fátima Bettencourt gosta muito de dizer que “Nha Claridade só pariu filhos homens”, numa clara alusão ao facto de a quase totalidade dos autores claridosos serem homens. Graças a Deus estamos a ajudar a mudar este cenário e a moderna literatura cabo-verdiana já começa a estar profundamente marcada pela presença feminina e há mesmo quem acha (Luandino Vieira, por exemplo) que esta presença é o melhor da literatura cabo-verdiana. Eu entendo, juntamente com Simone Caputo Gomes e Carmem Lúcia Tindó Secco, que embora os homens continuem a ser numericamente superiores há já claramente uma literatura de cunho feminino em Cabo Verde. A Universidade Federal do Rio de Janeiro, UFRJ, convidou-me para ir fazer um ciclo de palestras sobre literatura cabo-verdiana em Novembro próximo e esse será um dos aspectos que abordarei. Não esquecer que eu própria fui eleita nos anos 90 Presidente da Associação de Escritores Cabo-Verdianos (na altura Secretária-Geral).

Dina Salústio é uma dessas mulheres que compões a mirrada estatística das escritoras caboverdianas. Contemporânea de Vera Duarte, Salústio possui publicações diversas, de gêneros variados, mas a sua temática é sempre o universo feminino, os aspectos da condição feminina, da mulher sofrida e humilhada numa nação machista. Ela também subverte os paradigmas desse mundo machista e às vezes chega a tratar o assunto com ironia.  Dina Salústio tem um lugar de destaque neste painel de variedades: poesia, na antologia Mirabilis, de Veias ao Sol (1991); contos (Mornas Eram as Noites, 1994); romance (A louca de Serrano, 1998; ensaio (Insularidade na Literatura Cabo-verdiana, 1998), além de possuir publicações em quase todas as revistas de Cabo Verde. Toma-se como ilustração da temática de Vera Duarte, um trecho da primeira história de Mornas Eram as Noites, de Dina Salústio:
Sentia-se cansada. A barriga, as pernas, a cabeça, o corpo todo era um enorme peso que lhe caía irremediavelmente em cima. Esperava que a qualquer momento o coração lhe perfurasse o peito, lhe rasgasse a blusa.[...]
Pensou em atirar a lata de água ao chão, esparramar-se no líquido, encharcar-se, fazer-se lama, confundir-se com aqueles caminhos que durante anos e mais anos lhe comiam a sola dos pés, lhe queimavam as veias, lhe roubavam as forças.
Imaginou os filhos que aguardavam e que já deviam estar acordados. Os filhos que ela odiava!
Aos vinte e três anos disseram-lhe que tinha o útero descaído. Bom seria que caísse de vez! Estava farta daquele bocado de si que ano após ano, enchia, desenchia e lhe atirava para os braços e para os cuiddos mais um pedacinho de gente.
Não. Não voltaria para casa.
O barraco olhava-a, a boca aberta, num sorriso irresistível, convidando-a para o encontro final. [...] E se fosse agora, no instante que madrugava? A lta e ela, para sempre, juntas no sorriso do barraco.
Gostava de sua lada de carregar água. Tratava-a bem. Às vezes, em momentos de raiva ou simplesmente indefinidos, areava-a uma, dez, mil vezes, até que ficava a luzir e a cólera, ou a indefinição se perdiam no brilho prateado. [...]
Atirar-se ia pelo barraco abaixo. Não perdia nada. Aliás, nunca perdeu nada. Nunca teve nada para perder.
Disseram-lhe que tinha perdido a virgindade, mas nunca chegou a saber o que aquilo era.
À borda do barranco, com a lata de água à cabeça e a saia batida pelo vento, pensou nos filhos e levou as mãos ao peito.
O que tnha a ver os filhos com coração? Os filhos... Como ela os amava, Nossenhor! [...]
Correu deixando o barranco e o sonho de liberdade para trás.
Quando a encontrei na praia, ela esperando a pesca, eu atrás de outros desejos, contou-me aquele pedaço de sua vida, em resposta ao meu comentário de como seria bom montar numa onda e partir rumo a outros destinos, a outros desertos, a outros natais[9].

O poema "A outra", de Vera Duarte, interliga-se com o poema anterior, "A dor", ao abordar a submissão feminina. No poema de Vera percebe-se o mesmo conflito existencial da mulher de Salustio, mas desta vez, o simbologia é remetida às  mulheres bíblicas (antagônicas) Maria (a virgem mãe), e Madalena. A vontade de ser a mulher que se rebela contra as normas sociais em convívio inquietante com a mulher que aceita  submissa seu destino:


Quem é essa outra mulher que me habita e abusivamente ocupou quase todos os espaços?
(...)

Quem é essa mulher que me oferece as bem-aventuranças e me cega para os precipícios?

Por vezes apetece-me segui-la de olhos vendados, até onde ela quiser levar-me.

A meio do caminho ou antes de iniciar a caminhada.

E fico observando, carente e deliciada, o evoluir das bem-aventuranças, a felicidade suprema, a total insubmissão.

Madalena a mulher espreita e tenta. Ela quer e sabe.

Mas há uma inquietação também por um destino feminino sem subversões, feito de silêncio e de renúncias, que garantem Maria, virgem mãe.

Quantas vezes me quedarei perplexa e angustiada perante as encruzilhadas desta civilização incoerente?


 Ampara-se pelas epígrafes, liberta-se o pássaro fechado de Jorge Barbosa e voa-se pela magia das letras cabo-verdianas que reescrevem a literatura e a história da nação, percorrem um desconhecido caminho, vislumbram e reinventam um novo futuro para Cabo Verde, em concórdia com o lema de vida: Liberdade, Justiça, Paz e Amor. Aqui a poeta “Fala”, retoma o tema do pássaro fechado de Jorge Barbosa na “Navegação 1”, em Arquipélago da Paixão, fala do pássaro engaiolado cobrando as “explicações tão urgentes quanto inexistentes sobre a salvação do mundo e a redenção dos homens”: 
Falo de Deus e do nada, do caos e do recomeço. de Abel e eternamente Caim. de Romeu e Julieta e a navegação do amor. Sobretudo falo-lhes de Antígona. E de clareiras abertas no mato, de navios negreiros de porões ensangüentados. E de terras, em terras, de outras terras, de escravos amarrados ao tronco esperando a chibata, e as mulheres que cochiam o milho e rodopiavam ao som do batuque. [...]
Fitar bem no fundo dos olhos de cada pássaro engaiolado e esquecê-los numa fogueira de amor e ternura.

Por fim, Vera Duarte encerra a trajetória no Arquipélago da Paixão com o “Navegação 7” (número cabalístico), o juízo final,  com o aprendizado do amor e sua definição pela experiência: a iniciação pela Dor se completa, então vota-se ao começo, na infinitude do circular  se encerra com o pássaro fechado, agora transformado, o pássaro vermelho e lindo voou...

 Conclusão

   

            Conclui-se, após esse modesto estudo da rica biografia de Vera Duarte, que, sem dúvida, ela tem sido uma pioneira em tudo o que faz. Foi a primeira mulher a ingressar na magistratura em Cabo Verde, a primeira Conselheira Jurídica do Presidente de Cabo Verde, primeira presidente da Comissão Africana dos Direitos dos Homens e dos Povos, bem como  da Comissão Internacional de Jurista.
            Vera Duarte carrega um currículo cheio de prêmios, mas, sobretudo, merece o reconhecimento por ser uma mulher de causas, uma das poucas mulheres a abraçar as causas intimamente ligadas à condição de ser mulher. É mãe e cidadã caboverdiana, é juíza e cidadã do mundo. É mulher apaixonada e comprometida com um país de sonhos estilhaçados, um sonho vencido pela realidade de um mundo onde os direitos não são iguais para todos, onde há, sim,  distinção de sexo, onde  há, sim, distinção de raça e de  nacionalidade. E Vera Duarte luta para resgatar a utopia africana, resiste como uma flor de mirabilis que nasce no deserto. Realiza, através de sua literatura, a travessia imaginária e vai para o além-mar buscar sua identidade caboverdeana. E por ironia do destino, destino que também é poeta, atravessando o atlântico ela descobre as suas origens, e volta para o âmago de sua terra carregada pela paixão, paixão pelo Arquipélago que fez Vera, Vera Duarte que se fez em Arquipélago de Paixão.  




REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
DUARTE, Vera. O arquipélago da paixão. Mindelo: Artletra, 2001.

DUARTE, Vera. De quando se soltaram as amarras, In: Jogos florais 12 de setembro; introd. Ovídio Martins. - Praia: Instituto Cabo-Verdiano do Disco, 1976. p. 61-70

­­­­______. Os tribunais populares, In: Unidade e Luta; Orgão Central do Partido da Independência de Cabo Verde. - Nº 12, II série (1982), p. 18-23

______. A mulher e as leis do trabalho, In: Mujer: Revista da Organização das Mulheres de Cabo Verde. - Nº 2, II Série (1984), p. 8-9

______. A primeira mulher na Comissão Áfricana dos Direitos do Homem e dos Povos. In: A semana. - Ano III, nº 111 (1993), p. 4

______. Abbandono; trad. Roberto Francavilla. - II pianeta scritto. 37
In: Isole di poesia: antologia di poeti capoverdiani; org. e trad. e introd. Roberto Francavilla, Maria R. Turano. - Lecce : Argo, 1999. - p. 114

______. Amanha amadrugada. 1ª ed.;Lisboa : Vega, 1993.

______. Amanhã amadrugada. Praia: ICLD, 1993. (10 p.Palavra Africana)

______. Discurso alucinado sobre a existência de mim, In: Antologia do mar na poesia africana de língua portuguesa do século XX: Cabo Verde;coord. Carmen Lúcia Tindó Ribeiro Secco. - Rio de Janeiro : UFRJ, 1999. - p. 138

______. Emancipação da Mulher: A propósito do Dia Internacional da Mulher: A libertação da Mulher; In: Voz di povo. - Ano V, Nº 225 (1980), p. 6-7

______. Energias renováveis; In: Mujer: Revista da Organização das Mulheres de Cabo Verde. - Nº 7, II Série (1984), p. 19

______. Escritores aprovam Comunidade dos Sete; In: A semana. - Ano III, nº 111 (1993), p. 13

______. Exercício poético 1: sobre a beleza e a morte;In: Mirabilis de velas ao sol; org. José Luís Hopffer Cordeiro Almada. - Lisboa : Caminho, 1988. - p. 514

______. Exercício poético 10: mar e morte; In: Mirabilis de velas ao sol; org. José Luís Hopffer Cordeiro Almada. - Lisboa : Caminho, 1988. - p. 523
DUARTE, Vera. Exercício poético 2: extractos de viagem imaginada ao interior do meu país, dos homens e da vida;In: Mirabilis de velas ao sol / / org. José Luís Hopffer Cordeiro Almada. - Lisboa : Caminho, 1988. - p. 515

______. Exercício poético 3 : sobre a morte; In: Mirabilis de velas ao sol; org. José Luís Hopffer Cordeiro Almada. - Lisboa: Caminho, 1988.- p. 516

______. Exercício poético 4 : discurso alucinado sobre a existência de mim; In: Mirabilis de velas ao sol; org. José Luís Hopffer Cordeiro Almada. - Lisboa : Caminho, 1988. - p. 517

______. Exercício poético 5: “a ti”; In: Mirabilis de velas ao sol;  org. José Luís Hopffer Cordeiro Almada. - Lisboa : Caminho, 1988. - p. 518

______. Exercício poético 6: discurso de defesa; In: Mirabilis de velas ao sol; org. José Luís Hopffer Cordeiro Almada. - Lisboa : Caminho, 1988. - p. 519

_____. Exercício poético 7: discurso angustiado sobre a vida.; In Mirabilis de velas ao sol;org. José Luís Hopffer Cordeiro Almada. - Lisboa : Caminho, 1988. - p. 520

______. Exercício poético 8: sobre infâncias coloridas; In: Mirabilis de velas ao sol; org. José Luís Hopffer Cordeiro Almada. - Lisboa : Caminho, 1988. - p. 521

______. Exercício poético 9: sonho; In: Mirabilis de velas ao sol; org. José Luís Hopffer Cordeiro Almada. - Lisboa : Caminho, 1988. - p. 522

______. Mar e morte. In: Antologia do mar na poesia africana de língua portuguesa do século XX: Cabo Verde; coord. Carmen Lúcia Tindó Ribeiro Secco. - Rio de Janeiro : UFRJ, 1999. - p. 138-139

______. Momento XII : ventesimo secolo, un giorno incerto di un tempo di sofferenze; trad. Roberto Francavilla. - Il pianeta scritto.37; In: Isole di poesia: antologia di poeti capoverdiani; org., trad. e introd. Roberto Francavilla, Maria R. Turano. - Lecce : Argo, 1999. - p. 113


GOMES, Simone Caputo. Cabo verde: literatura em chão de cultura, - Cotia, SP: Ateliê Editorial; Praia: Instituto da Biblioteca Nacional e do livro, 2008

Sites consultados:
SECCO, Carmem Tindó. Algumas tendências da poesia cabo-verdiana hoje. disponível em:


Imagens:






[1] Nota1: Barlavento é o nome que se dá ao grupo de ilhas do arquipélago de Cabo Verde integrando (de oeste para leste): Santo Antão, São Vicente, Santa Luzia (desabitada), São Nicolau, Sal e Boa Vista. Pertencem ainda ao grupo do Barlavento os ilhéus desabitados de Branco e Razo, situados entre Santa Luzia e São Nicolau; o ilhéu dos Pássaros, em frente à cidade do Mindelo, na ilha de São Vicente; os ilhéus Rabo de Junco, na costa da ilha do Sal e os ilhéus de Sal Rei e do Baluarte, na costa da ilha da Boa Vista. As restantes ilhas de Cabo Verde fazem parte do Sotavento.

Nota2: Sotavento, grupo de ilhas do arquipélago de Cabo Verde que inclui (de leste para oeste): Maio, Santiago, Fogo e Brava. Fazem ainda parte do Sotavento o ilhéu de Santa Maria, em frente à cidade da Praia, na ilha de Santiago; os ilhéus Grande, de Cima, do Rei, Luís Carneiro e Sapado, a cerca de 8 km da ilha Brava e o ilhéu da Areia, junto à costa dessa mesma ilha.

[2] Nota: julga-se importante observar que a atual Ministra da Educação de Cabo Verde recebeu recentemente (em 04-02-09) a delegação brasileira, chefiada pela Embaixadora de Cabo Verde, quando lhe foi apresentado o projeto da criação da Universidade Integrada Luso-Afro-Brasileira (UNILAB), que, segundo a promessa do presidente do Brasil, Lula da Silva, será aberta em 2010, na cidade de Redenção, Ceará. Nota disponível em: www.minedu.gov.cv/index.option=com._content&task=view&id=463&itemid=1.

[3] SIMONE CAPUTO GOMES é Professora Doutora da Universidade de São Paulo, de Literaturas Africanas de Língua Portuguesa, do Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas. Doutora em Letras, Literatura de Língua Portuguesa , pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (1988), com Pós-Doutorado nas Universidades de Lisboa (Literatura de Língua Portuguesa, 1994 e 1995-1996) e Coimbra (1993); além de Pesquisadora da FAPESP.
[4] Mindelo (Cabo Verde): História. Disponível em:  http://pt.wikipedia.org/wiki/Mindelo_(Cabo_Verde), em 06/03/2009.

[5] Mindelo (Cabo Verde): História. Disponível em:  http://pt.wikipedia.org/wiki/Mindelo_(Cabo_Verde), em 06/03/2009.

[6] CARMEN LUCIA TINDÓ SECCO. Algumas tendências da poesia cabo-verdiana hoje. Ensaio, disponível em:



[7]CARMEN LUCIA TINDÓ SECCO é professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro e consultora do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico. Atualmente, desenvolve ampla pesquisa na área de Literaturas Africanas de Língua Portuguesa, em temas interdisciplinares como história, memória, sonho, mito e poesia, tendo inúmeros trabalhos publicados. Em 2005, foi convidada para participar da elaboração da História da Literatura Angolana, pelo Ministério da Cultura de Angola e, em 2007, recebeu a medalha Amizade Brasil-Angola, sendo hoje uma das mais reconhecidas entusiastas dessa imbricação cultural no Brasil. O seu ensaio “Algumas tendências da poesia cabo-verdiana hoje” está disponível em: http://www.confrariadovento.com/revista/numero18/ensaio04.htm

[8] Vera Duarte. Arquipélago da paixão, “Ortodoxias em Desagregação”, apud Simone Caputo Gomes, in: Cabo Verde: literatura e chão de cultura, pp. 253-254.

[9] Dina Salústio, apud Simone Caputo Gomes, in: Cabo Verde: Literatura em chão de cultura, pp. 220-221.

Um comentário:

  1. Esta é uma homenagens a mais ilustre escritora e educadora cabo-verdeana, Dra. Vera Duarte. Salve a África! Salve o Brasil!

    ResponderExcluir