O ESTADO DEMOCRÁTICO DA REPÚBLICA AFRICANA SÃO TOMÉ E PRÍNCIPE
Por: Silvania Silveira
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Conforme as descobertas mais
recentes da Arqueologia, a África foi a madre da humanidade. Fosseis
importantes de homens, símios e ancestrais humanos foram descobertos em sítios
na África, Ásia e Australia. Porém, a
mais antiga e segura prova de bipedalismo foi encontrada mesmo na África Oriental, na região do Afar,
na Etiópia. Segundo a o “Atlas da História do Mundo”[1]:
[...] Era o esqueleto conhecido como lucy, um
Astralopitecíneo do gênero feminino que vagava pela região há cerca de 2,4
milhões de anos. Mas notável foi a descoberta de pegadas, preservadas por
cinzas vulcânicas, de dois Astralopitecíneos adultos acompanhados por uma cria
em Laetoli.
É por demais interessante observar que a ciência
arqueológica comprova o caráter social
do homem desde os seus ancestrais, pois os fósseis encontrados mostrararam que o homem já viviam em núcleos
familiares há 3, 8 milhões de anos. Outros estudos mostram que um estágio mais
avançado no desenvolvimento de
caracterísiticas anatômicas modernas é
observado em fósseis africanos que datam,
aproximadamente, entre 1,7 milhões de anos atrás a 200.000 a .C. Mudanças no
tamanho e forma do crânio mostram que esses hominídeos tinham um cérebro maior
e mais desenvovido. Embora fosseis do tipo Homo
erectus tenham sido encontrados
primeiramente no Sudeste da Ásia e da China, o grupo africano pode ser
considerado uma forma primitiva do Homo sapiens (homem racional), linhagem da
qual derivam as primeiras populações de seres humanos inteligentes.
O surgimento dos
Estados na África – de 900 a
1500 d.C
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A
história da humanidade registra, no período de 900 a 1500, o surgimento de novos
Estados no norte da África. Os grandes impérios surgiram no Sudão Ocidental,
com o estabelecimento de ligações comerciais com a África Negra. Na região ao
sul do Equador, onde as consequências da dispersão dos bantos ainda tinham
desdobramentos, desenvolveram-se Estados
ainda maiores.
Dinastias
muçulmanas estrangeiras (fatímidas, aiubitas e mamelucos) governaram o Egito e estimularam
o comércio no Mediterrâneo Oriental, mar Vermelho e mar da Arábia. Após o
declínio de Axum, este fluxo comercial forneceu a base econômica para a
restauração do poder político do império cristão na Etiópia, primeiro no séc.
XI, sob a dinastia Zagwe (língua euxita), e depois, no séc. XIII, sob os
salomônicos (língua amárica), que mais tarde entraram em conflito com os
Estados muçulmanos da costa do Chifre da África, em particular o de Adal. Por
volta de 1000 d.C., o Magreb (noroeste da África) já estava havia mais de três
séculos sob domínio do Islã e era a região dos impérios berberes dos
almorávidas e dos almoadas (pág. 132).
Entre
1000 a
1500, o Islã expandiu-se em direção ao sul: ao longo do Nilo até os reinos
cristãos da Núbia; pelas costas setentrional e oriental do Chifre (que dava
para o sul da Arábia); e através do Saara para o interior dos Estados do
cinturão sudanês, do Senegal ao Nilo. Os mercadores e viajantes mulçumanos
atravessavam o Saara com caravanas de camelos, partindo dos depósitos
comerciais em uma das extremidades do deserto, como Sijilmassa, sul dos montes
Atlas no Marrocos, e Walata, no Mali. O sal era essencial à alimentação nos
países tropicais, portanto era transportado junto com artigos de luxo para a
África Negra do sul.
Em
1250, as economias do Oriente Médio muçulmano e da Europa cristão dependiam do
ouro africano; em troca, artigos de couro e escravos iam para o norte. A
expansão do comércio transaariano impulsionou os Estados do cinturão sudanês.
Gana e Mali, dois dos maiores, foram criados por povos mandingas, que se
espalhavam pelo oeste da África Ocidental. Gana foi fundada pelo grupo soniquê
dos mandingas na área ao norte dos rios Senegal e Nigér e prosperou entre os
séc.VIII e sec. XI. Seu sucessor, Mali,
fundado pelos mandingas malinquês, dispersou-se do Atlântico para além da
grande curva do Níger.
Em
1324, em peregrinação, o rei ali Mansa Musa foi a Meca e levou tanto ouro com
seu séquito que a moeda corrente do Cairo acabou desvalorizada. O Império de
Mali cedeu lugar ao de Songai, centralizado nas cidades de Gao e Timbuktu, ao
longo do Níger. A oeste de Mali, ficavam as cidades-Estado dos hauçás; algumas
delas – Zaria, Kano, Katsina – propsperaram, entretanto, não chegaram a formar sequer
um único Estado Hauçá. Bem a leste do lago Chade ficava o Império Canure,
fundado por povos desérticos em Kanem e por volta de 1300 centralizou sua política
em Borno, a oeste do lago. Conhecidos como “Mais”, os reis canures criaram uma
das dinastias mais longas da história até serem destronados, no séc. XIX.
Já
quase ao fim da Idade Média, aproveitando-se da crise na Europa Ocidental, os
reinos negros do Sudão Central e Ocidental prosperaram. Vários reis africanos gozavam
de grande reputação pela riqueza e realizações artísitcas de seus súditos,
dentre eles Mansa Musa e Sonni Ali. Timbuktu e Jenne eram cidades-capitais eram
muradas, suas universidades costumavam atrair aos eruditos e poetas. O poder político
era uma resultante de forças militares e aliança com os líderes locais, a ponto
de os juízes dispensarem a justiça e cabia à burocracia administrava controlar
o comércio e cobrar os impostos.
Ao
sul dos Estados sudaneses, os mercadores hauçás e maliquês (mais tarde chamados
dyula) negociavam com os povos à beira das florestas tropicais, principalmente
nas regiões produtoras de ouro. Por volta de 1500, como resultado de contatos com os habitantes do
norte, sugiram os Estados de Oyo, Benin e Akan. Foi na baia de Benin que os primeiros
marinheiros européus, principalmente portugueses, passaram a explorar as rotas
marítimas perto da África Ocidental.
Havia
muitas cidades-Estado mulçumanas ao longo
da costa oriental, onde o povo e a civilização Suáli inseriram esta
parte da África em um complexo comercial do oceno Índico. Kilwa Kisiwani
prosperou como entreposto para o ouro do Zimbábue, trazido via sofala. A
chegada de Vasco da Gama em 1498 deu início a usurpação européia no lucrativo
sistema de comércio oceânico.
Na
metade meridional do continente, alguns povos africanos aglutinaram-se e
formaram núcleos que se tornariam reinos. Ali, os agricultores trabalhando com
ferro e pastores com culturas materiais (do fim da Idade do Ferro) formaram
civilizações sofisticadas. Estados centralizados , com governadores tidos como
sagrados, sugiram na região do Congo, ao sul do baixo rio Zaire, em Lubalnadia
(Catanga ou Shaba), no Zimbárbue e na área entre os grandes lagos da África
Oriental.
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A comunicação na África medieval
A África
possuia poucos portos naturais ao sul do Saara, as linhas internas de
comunicação para a passagem do comércio e de idéias mostraram-se mais
importantes do que as rotas marítimas, com exceção do Mar Vermelho e de partes
da costa da África Oriental. Nesse sentido, a história medieval da África foi
bem diferente da história da Europa: os grandes impeérios da África que
surgiram e prosperaram entre 900 e 1500 eram todos Estados do interior, em
geral localizados no centro do continente; ao contrário da Europa, a África
tendia a se desenvolver em direção ao interior.
As rotas transaarianas (abaixo) . Mesmo com os camelos,
introduzidos na África no período romano, atravessar o deserto continuava sendo
algo arriscado. Se os bebedouros distantes secassem ou se os violentos povos
independentes do deserto (os discretos tauregues) atacassem, caravanas
interiras de centenas de homens e animais pereceriam. Os esqueletos deixados
lembravam o perigo. Ainda assim, esse grande sistema comercial persistiu por
muitos séculos.
Rotas transaarianas – África, período medieval.
Fonte: Atlas
da História do Mundo.Folha de São Paulo; The Times, pp.272-273
A independência das colônias e a emancipação da África.
http://www.google.com.br/imgres?q=Independencia+das+col%C3%B4nias+da+Africa&hl=pt-
O
grande poder da Eropa sobre a maior parte do continente africano parecia estar
garantido até 1939. Entretanto, por no período de 40 anos o controle dos
brancos restringiu-se a um “laager” sul-africano. As mudanças consequentes da
Segunda Guerra Mundial, em geral acompanhadas por intensa conscientização
política, fortaleceram o poder dos líderes africanos, naquele momento,
empenhados no progresso social e político de seus países. Também foram
importantes as mudanças ocorridas fora da África. Enquanto os EUA procuravam
eliminar barreiras à ampliação de sua influência, a vitória dos aliados elevou
o prestígio da URSS. Os liberais e socialistas da França e da Grã-Bretanha,
favoráveis à causa africana, iniciaram programas de reformas sociais e
políticas contrários aos interesses de alguns colonizadores.
A
partir de 1947, o início da Guerra Fria e a escasses de dólares apontaram para
um ressurgimento do colonialismo; a repressão da França à rebelião em
Madagascar evidenciou esse fato. Entretanto, movimentos nacionalistas
desafiaram tais políticas, tanto que, em 1947, os tumultos em Acra e outras
cidades da Costa do Ouro forçaram o governo britânico a iniciar reformas
constitucionais, as quais permitiram o sucesso eleitoral da Assembleia do Povo
de Kwame Nkrumaha, três anos depois. Na costa do Marfim, os conflitos levaram a
França à tratativas de reconsciliação com a Assembleia Democrática Africana
(até então, comunista).
Em
1952, no norte da África, os movimentos naciionalistas muçulmanos foram
incentivados pelo fim da monarquia egípcia e a ascenção de Gamal Abdel Nasser. No
interim de 1953 a
1954, a
Grã-Bretanha concordou em retirar suas tropas do canal de Suez e em apressar a
independência do Sudão e, em 1956,
a França reconheceu a independência de Marrocos e
Tunísia. Contudo, na Argélia de 1954,
a Frente de Libertação Nacional iniciou a guerra que se
prolongaria até a sua independência, em
1962. Ainda em 1956, a
Grã-Bratanha e a França (em acordo com
Israel) invadiram a zona do canal de Suez para proteger seus interesses e
garantir o poder na região. A estratégia não deu certo por causa da oposição
dos EUA, da URSS e da ONU. No sul e no leste, os acontecimentos pós-guerra
estimularam a eleição do governo nacionalistana África do Sul, encabeçado por
D.F. Malan, estabeleceu-se o aparthaid, política de segregação racial da Repúb
lica Afrikaner. No Quênia, cerca de 40 mil colonos pretenderam impor seu domínio à Africa do
Sul, mas os britânicos assumiram o combate à insurreição Mau Mau contra os colonos,
após 1952.
Na
África Central, os ingleses criaram a federação da Nyasalândia e da Rodésia do
Norte e do Sul, em 1953, porém a federação sucumbiu em 1960.
Durante
a década de 60 esse estado de euforia desapareceu. A economia africana
mostrou-se frágil; rivalidades étinicas e conflitos políticos e guerra civil repetiram-se no
Zaire, na Nigéria, Angola, Guiné-Bissau, Moçambique etc. De 1962 à 1976, embora
tenha tentado sufocar os conflitos, o
Reino Unido perdeu suas colonias na Africa: em 1962, a independência da
Uganda ; em 1963, Zamzibar; em 1964, Malawi e Zâmbia. Em 18 de fevereiro 1965, a independência da
Gâmbia do Reino Unido. Ainda em 11 de novembro 1965, a Rodésia declara-se
unilateralmente independente do Reino
Unido, mas Zimbabwe só tem sua independência reconhecida internacionalmente em
17 de Abril de 1980, após a luta armada dos nacionalistas e a pressão de
Portugal pela independência das colonias africanas. De 1966 a 1976 o Reino Unido perdeu
de vez as suas colônias para a independência da África: Botwana (1966); Lesotho
(1966); Maurícia (1968); Suazilândia (1968) e Seychelles (1976).
Em
1968 foi a vez de Guiné Equatorial se libertar da colonização da Espanha. E em
1975 Camores conseguiu a independência
da França, embora fosse autônoma desde 1961, a ilha de Mayotte continuava sob a
adminsitração francesa.
Mas
foi com o fim da ditadura, a partir de 1974, que Portugal abriu caminho para a
independência de suas colônias africanas. Antes foi Guiné-Bissau (1973), depois
seguiram-se Moçambique (1975), Cabo verde (1975), São Tomé e Píncipe (1975,
Angola (1975).
A
África do Sul ainda tentou se proteger fortalecendo o controle ilegal sobre a
Namíbia e concedendo às reservas de mão-de-obra sul-africana, conhecida como
bantustões, uma independência aparente. “Mas no fim da década de 80 estava
claro que o apartheid não sobreviveria. O acontecimento-chave foi a libertação
de Nelson Mandela, em fevereiro de 90, e a abertura de negociações com o
Congresso Nacional Africano”, conforme o “Atlas da história do mundo”(1995).
Contudo,
as perspectivas econômicas imediatas eram insatisfatórias para os novos países.
Para alguns, a exploração de petróleo e outros minerais ajudaram, mas a
população crescia e os recursos destinados a produção de alimentos foram desviados para atender aos
fins econômicos do desenvolvimento precário. Os governos eleitos se mostraram
incapazes de controlar a pobreza, a
corrupção e as rivalidades étnicas, assim,
foram substituidos por ditaduras militares ou regimes de partido único. De modo
que, ao final da década de 1980 e início de 1990, a grande e sofrida África, mãe da humanidade,
se apresentava caótica, sozinha para resolver os problemas da seca, da miséria,
das guerras internas e das questões dos refugiados.
República Democrática de São Tomé
e Príncipe
São
Tomé e Príncipe é um
países do Continente Africano, um dos
membros da Comunidade dos Países de
Língua Portuguesa (CPLP). Localiza-se no Golfo
de Guiné e é composto por duas ilhas principais (São Tomé e Príncipe) e várias ilhotas, ocupa uma área de 1.001
km², e tem cerca de 160 mil habitantes. É um Estado insular, isto é, não tem
fronteiras terrestres, mas está próximo do arquipélogo Costas do Gabão, Guiné Equatorial, Camarões e
da Nigéria.
Segundo os historiadores, as ilhas de São Tomé e Príncipe estiveram desabitadas
até 1470, quando os
navegadores portugueses João de Santarém e Pedro
Escobar as descobriram. Desde então, tornaram-se colónias de Portugal, até
que conseguiram a independência e toranram-se Estado, em 12 de julho de 1975.
O
Brasão de Armas de São Tomé e Príncipe é constituído por um falcão à
esquerda e um papagaio
à direita segurando um brasão ovular que contém no seu interior uma palmeira.
No topo do brasão, uma fita com a denominação oficial do país: República
Democrática de São Tomé e Príncipe. Na base, outra fita com o lema nacional:
Unidade, Disciplina, Trabalho.
A Bandeira
de São Tomé e Príncipe, adoptada em 5 de Novembro
de 1975. Nela,
o triângulo vermelho simboliza
a luta pela independência; as duas
estrelas negras representam as principais ilhas do país, São Tomé e a de
Príncipe. O verde,
o amarelo
e o preto
são as cores Pan-Africanas.
Os símbolos da República de São
Tomé e Príncipe
República
Democrática de São Tomé e Príncipe
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Lema: Unidade,
Disciplina, Trabalho
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Gentílico:
são-tomense
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Independência de Portugal
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12 de
Julho de 1975
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- Total
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- Estimativa de 2005
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157 000 hab. (188º)
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- Urbana
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58% hab. (º)
|
156,84 hab./km² (65º)
|
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Estimativa de 2006
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- Total
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US$ 214 milhões (218º)
|
US$ 1.266 (205º)
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- IDH (2007)
|
0,654 (123º) – médio
|
68,8/64,6 anos (º)
|
|
75 / mil nasc. (º)
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+3h (UTC)
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+239
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A política
de São Tomé e Príncipe
Segundo
os historiadores, as ilhas de São Tomé e
Príncipe estavam desabitadas até a
chegada dos navegadores europeus João de Santarém e Pedro
Escobar, em 1470. Ali postaram a bandeira de Portugal e
transformaram as ilhas em colônias portuguesas. Lá se desenvolveram a língua
lusófona e a cultura agrária.
A cana-de-açúcar foi introduzida nas ilhas no século XV,
mas a concorrência brasileira
e as constantes rebeliões locais levaram a cultura agrícola ao declínio, no século
XVI. Diante da decadência da cultura açucareira, as ilhas passaram a entrepostos
de escravos.
Em uma das várias rebeliões
locais, o escravo denominado Amador
passou a ser considerado herói nacional, porque conseguiu controlar cerca de dois
terços da ilha de São Tomé reestimulando a agricultura. Porém, a agricultura
tornou-se cultura desenvolvida no arquipélago com o cultivo de cacau e café
apenas no século
XIX.
Durante
estes dois séculos
do Ciclo do Cacau, criaram-se estruturas administrativas complexas. A
burocracia criou vários serviços públicos e um Chefe de serviços. Entretando,
as decisões tomadas pelo Chefe de Serviços deveriam ser sancionadas pelo Governador
da Colônia. Este, para legislar
precisava do auxílio de um Conselho de Governo e de uma Assembleia
Legislativa. Por muitos anos o governador foi o comandante-chefe das forças armadas, até que se criou um Comando Independente, rebeldes travaram
uma luta armada contra o domínio do governador comandante. Fora da sua alçada
encontrava-se a Direção-Geral de Segurança (DGS). O Chefe
de serviços viajava periodicamente à Lisboa, para levar informações ao Governo da colonia e dele trazer instruções.
O palácio presidencial
de São Tomé e Príncipe
A
colônia fora dividida em dois conselhos e em várias freguesias, um para a ilha
de São Tomé e outro para a ilha do Príncipe.
Como representante do Governo, o
administrador do Conselho tinha largas atribuições.
Mas,
em 1960, surgiu um grupo nacionalista opositor ao domínio
português. Em 1972,
o grupo deu origem ao Movimento de Libertação
de São Tomé e Príncipe (MLSTP), com orientação marxista.
Assim, em 1975, após
quase 500 anos de colonização Portugal, o arquipélago consegue a independência
como país com a implementação de um regime
socialista
de partido único, sob a alçada do MLSTP. Dez anos após a independência (1985), inicia-se a
abertura econômica do país.
Em
1990, adota-se uma
nova constituição, que instituiu o pluripartidarismo em São Tomé e Principe. No
ano seguinte, apresentaram o Partido de Convergência Democrática - Grupo de
Reflexão (PCD-GR) como grande vencedor das eleições, pois foi ele a conquistar
a maioria das cadeiras. Para a presidencia, apenas a cadidatura de Miguel
Trovoada, ex-primeiro-ministro do país que estava exilado desde 1978. Sem adversários,
Trovoada foi eleito para o cargo. Em 1995, foi instituído um governo local para a ilha do Príncipe composto de cinco membros.
Nas eleições parlamentares de 1998, o MLSTP incorpora no seu nome PSD (Partido Social
Democrata) e conquista a maioria no Parlamento, o que tornou possível ao
partido indicar o primeiro-ministro.
Partidos Políticos
- MLSTP-PSD: Movimento de Libertação de São
Tomé e Príncipe – Partido Social Democrata
- ADI: Ação Democrática Independente
- PCD-GR: Partido de Convergência Democrática –
Grupo de Reflexão
- MDFM: Movimento Democrático Força de Mudança
(Partido criado por Fradique de Menezes)
- Outros partidos sem representação parlamentar
Poder Legislativo
- Unicameral – Assembléia Nacional, com 55
membros
- Constituição: 2003
Subdivisões
São
Tomé e Príncipe é uma nação constituída por duas ilhas principais e alguns
ilhéus. Administrativamente está dividida em sete distritos. Em 2004, estimava-se 139.000
habitantes.
A
Ilha de São Tomé, tem uma população estimada em 133.600 habitantes (em
2004) numa área de
859 km². Tem como capital a
cidade de São Tomé.
A
Ilha do Príncipe, cuja capital é Santo Antônio, é a ilha menor
do arquipélogo, com uma área de 142 km² e uma população estimada em 5.400
habitantes (em 2004).
Desde 29
de Abril de 1995
que a ilha do Príncipe constitui uma região autônoma.
O
ilhéu das Rolas fica a poucos metros ao sul da ilha
de São Tomé, e apresenta a particularidade de ser atravessado pela linha
do Equador.
Embora
a Constituição determine que os governos distritais autarquias sujeitas a eleições, até
ao momento, eleições de autarquias não se realizaram em São Tomé e Príncipe.
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Ilha do Príncipe
Pagué (7) |
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Geografia
As ilhas de São Tomé e Príncipe ficam situadas junto à linha do Equador e a cerca de
Evolução demográfica de São Tomé e Príncipe.
As ilhas
foram colônia Portugal. Na década
de 1970 houve dois fluxos populacionais significativos — o êxodo da maior
parte dos 4.000 residentes portugueses e o influxo de várias centenas de
refugiados vindos de Angola. Os ilhéus foram influenciados pela cultura portuguesa
e formaram uma cultura própria, luso-africana. A religião predominante é o
Cristianismo, as igrejas, Católica
Romana, Evangélica, Nazarena, Congregação Cristã ou Adventista do Sétimo Dia,
que, por sua vez, mantém laços estreitos com as igrejas em Portugal. 95% da
população fala português, mas três idiomas crioulos.
População
Urbana - 40% (a cidade de São Tomé, com cerca de 51 mil
habitantes, é o único centro urbano do país)
População
Rural - 60%
Floresta de São Tomé
Fonte: Wikepédia
São Tomé
e Príncipe tem um clima do tipo equatorial, quente e húmido, com temperaturas
médias anuais que variam entre os 22°C
e os 30°C .
É um país com uma multiplicidade de microclimas, definidos, principalmente, em
função da pluviosidade, da temperatura e da localização. A temperatura varia em
função da altitude.
Na
opinião dos ecoturistas, São Tomé e Príncipe é um dos últimos paraísos da
terra, um estado que é formado por duas ilhas - São Tomé e Príncipe - as quais
ficam situadas a 800
quilômetros da costa oeste africana, no golfo da Guiné.
A
ilha principal tem 35 x 50
quilômetros de extensão e o seu nome é o mesmo da capital: São Tomé. Lá os 35.000 são-tomenses
habitantes em paz e com segurança já ha muitos anos. A língua oficial é o
português-crioulo, porém o entendimento em línguas estrangeiras é realizado sem
problemas.
É
difícil imaginar que haja paz e segurança na África do oeste, mas em São Tomé e Príncipe há.
Há cerca de 25 anos o exército conta com apenas 200 soldados e mesmo assim é
capaz de realizar tarefas representativas e garantir a paz do paraíso.
São Tomé e Príncipe tem apostado no
turismo para o seu desenvolvimento, mas a recente descoberta de jazidas de petróleo
nas suas águas abriu novas perspectivas para o futuro.
As
ilhas de São Tom e Príncipe são para os individualistas. Seja cientista,
turista ou investidor. Para qualquer comerciante com interesse na África,
qualquer historiador ligado à época colonial. Para os turistas que gostariam de
visitar a África, porém receiam as imponderabilidades e os riscos dos estados
instáveis da terra firme da África. Para qualquer viajante de pacote de férias,
que gostaria de descobrir uma ilha para se mesmo. Para alpinistas e os que
gostam de fazer longas caminhadas nas montanhas africanas de mais de 2000 metros de altura
(antigos vulcões, como por exemplo: o Pico de São Tomé com 2024 m ). Para mergulhadores,
os quais sempre estão na procura de lugares não descobertos. Para agências de
viagens que almejam hotéis e comerciantes alemães, como também um banco alemão em São Tomé (abaixo seguem
mais informações). Para pessoas que gostam de aventuras, velejadores,
surfistas, professores de geografia e para quem "conhece a África como a
palma da mão"...
Os
São-tomenses foram acordados pela União Européia, pelos conselheiros da
economia e pelos investidores alemães. Além disso, os Centros da África
Ocidental da ONU e da "Voice of America" mudaram-se para a ilha
segura de São Tomé, uma emissora nova da VOA foi instalada.
"O
que faz São Tomé e Príncipe tão seguro ?" Primeiramente, o estado de São
Tomé e Príncipe tem só 133.000 habitantes, a república é regida por um
parlamento democraticamente eleito com o Senhor Presidente e os Ministros.
A
infra-estrutura da ilha é variada. Ainda existem cem quilômetros de ruas asfaltadas
da época colonial portuguesa, recomenda-se um jeep nesta região.
O
sistema de hotelaria oferece um dos melhores hotéis da ilha, o Hotel Miramar,
de quatro estrelas, inaugurado no junho
de 1997 (serviço de 24 horas, ar-condicionado em todos os quartos, uma linda
piscina, etc.) Gerenciado por um alemão com experiências na África, e com uma
excelente cozinha e serviço. Os preços são moderados (a partir de 80 dólares,
sendo aceito também em Dobra, a moeda nacional)
São
Tomé é um país felizardo da África, é uma entrada destacada para a África
Ocidental, onde as portas do futuro se abrem. São Tomé, como um dos estados
mais seguros na entrada do continente, dispõe de um aeroporto bem equipado (com
iluminação noturna e com pista longa) e fácil a ser atingido, pelos pilotos,
principalmente do Airbus da TAP.
Aliás,
a produção do café e do cacau está sendo de novo desenvolvida. Por sinal, no
fim do século passado, São Tomé e Príncipe foi o maior produtor de cacau do
mundo. Além disso, cresce lá, na região do equador e no clima marítimo o café
mais desejado e caro do mundo. O mais famoso, o café "Monte Café" é
vendido quatro dólares a mais do preço mundial, o qual é aproximadamente USD
1,60. A coleta dos próximos dez anos já são reservadas.
Além de tudo, São Tomé é um paraíso de
férias, mais selvagem do que Caboverde, mais bonito do que a Ilha de Maurícia,
e pelos Europeus mais perto do que o Caribe - e com doze meses de sol.
As
ilhas atraem com as suas praias lindas, com as melhores possibilidades de mergulho
e de velejar, com as matas selvagens e montanhas em um agradável clima
tropical.
A atividade pesqueira continua a ser
uma das principais actividas econômicas do país. Afora tudo isso, o país
continua a manter relações, agora do comércio bilateral, com seu antigo
colonizador, Portugal.
As manifestações religiosas em São Tomé e Principe são
complexas e têm origem nos mais variados credos, devido as influências dos
diversos colonizadores da África. Distinguem-se contudo, duas tendências
religiosas acentuadas: a animista e a católica.
Cultura
No folclore santomense são de destacar a sobrevivência de dois autos renascentistas (século XVI): " A Tragédia do marquês de Mântua e do Príncipe D. Carlos Magno", denominado localmente de "Tchiloli" e o "São Lourenço" (por ser representado no dia deste santo) e que é idêntico aos "Autos de Floripes"[1] que ainda hoje é representado na aldeia das Neves, perto de Viana do Castelo.
A Cena Lusófona editou um livro, Floripes
Negra, em que
Augusto Baptista , ensaísta e fotógrafo, faz um levantamento
sobre as origens do "Auto da Floripes" e as suas ligações com Portugal.
Considerações finais
A literatura africana lusófona parece-nos um tanto
sofrida e nostálgica, assim como a música que possui o rítmo forte dos
tambores, as as letras exprimem saudade e melancolia. Pode-se entender que os
intelectuais dos países africanos lusófonos estejam empenhados na árdua tarefa
de resgate de uma cultura que foi soterrada durante anos a fio, mas deixam
claro que tem paciência para esperar, com o tempo resgatarão tudo o que sua
cultura tem de maior valor e força. Neste sentido, é preciso ressaltar a
importância da língua portuguesa para esse resgate e para a propagação dessa
cultura.
A
independência desses paises lusófonos é recente. Atualmente, ainda vivem em um
ambiente de explosões sociais, crises políticas, fragmentações e guerras
internas. Até 1974, os principais territórios ainda eram colônias européias, as
chamadas províncias ultramarinas de Portugal. A primeira a se libertar do
colonialismo português foi Guiné-Bissau,
em 1973. Angola, Moçambique, Cabo-Verde,
São Tomé e Príncipe só alcançaram sua independência em 1975, com a queda
do salazarismo em
Portugal. Até então, ainda lavravam outras guerras, as de
libertação, conduzidas por vários agrupamentos de guerrilherios.
Assim,
colhemos algumas referências de autores da literatura lusófona que precisamos
estudar posteriormente, como didática para nosso entendimento da cultura
lusófona: Dentre eles, Mia Couto, o
poeta Craveirinha e seu poema “Quero ser tambor” ( Este, deve ter um especial
significado, nos leva a curiosidade de saber a explicação do próprio autor
sobre o por que “ele quer ser tambor”); o
angolano Agostinho Neto, com suas poesias “Noite e Sinfonia”; Calos Soromenho,
com seu conto “O lago enfeitçado”; Jofre Rocha, com sua poesia “O Combate” e
com o conto “O drama de Vovó Tutúri”; os caoverdeanos Aguinaldo Fonseca, com
sua poesia “Herança”; Jorge Tolentino, com seu conto “A chefe”; Orlando Amarilis, com seu conto “Luisa –
filha de Nica”; os guineenses Antonio Baticã Ferreira, com suas poesias “País
Natal e Mãe Negra”; Carlos d’Álmada, com suas poesias “O silencio” e “Carta”;
os santomenses Carlos Espírito Santo, com sua poesia “A puíta” Frederico Anjos
com sua poesia “Um grito diferente” e o moçambicano Antonio Emília Couto, com
seus contos “Jorojão vai embalando lembranças e “O perfume”.
Além
dessa obras, tivemos notícias de uma coletânea de “Contos Santomenses (1984)
que precisamos pesquisar para fecharmos esses estudos sobre a grande mãe África, parideira dos homens,
que, hoje, um grande continente, nos aparece
como uma ninfa virgem a espera da sensibilidade humana capaz de cultuar sua beleza e suas artes.
REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS
___“Atlas
da História do Mundo”. Folha de São
Paulo, encartes das edições de domingo , de 12 de março a 22 de outubro de
1995.
ELIAS, Silvio. “A língua portuguesa no
mundo”. 2ª. Ed. São Paulo: Ática, 1998 (Princípios)
INTERNET
HTTP://www.são-tome.com/portugueses.html, em 23/01/2009
"http://pt.wikipedia.org/wiki/S%C3%A3o_Tom%C3%A9_e_Pr%C3%ADncipe",
em 22/01/2009
[1]
___ “Atlas da História do Mundo”. Folha
de São Paulo, encartes das edições de domingo , de 12 de março a 22 de outubro
de 1995.

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