terça-feira, 17 de janeiro de 2012


O ESTADO DEMOCRÁTICO DA REPÚBLICA AFRICANA SÃO TOMÉ E PRÍNCIPE

Por: Silvania Silveira





























INTRODUÇÃO AO VENTRE DA MÃE ÁFRICA



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            Conforme as descobertas mais recentes da Arqueologia, a África foi a madre da humanidade. Fosseis importantes de homens, símios e ancestrais humanos foram descobertos em sítios na África, Ásia e Australia. Porém,  a mais antiga e segura prova de bipedalismo foi encontrada  mesmo na África Oriental, na região do Afar, na Etiópia. Segundo a o “Atlas da História do Mundo”[1]:
[...] Era o esqueleto conhecido como lucy, um Astralopitecíneo do gênero feminino que vagava pela região há cerca de 2,4 milhões de anos. Mas notável foi a descoberta de pegadas, preservadas por cinzas vulcânicas, de dois Astralopitecíneos adultos acompanhados por uma cria em Laetoli.
         É  por demais interessante observar que a ciência arqueológica comprova o  caráter social do homem desde os seus ancestrais, pois os fósseis encontrados  mostrararam que o homem já viviam em núcleos familiares há 3, 8 milhões de anos. Outros estudos mostram que um estágio mais avançado no desenvolvimento  de caracterísiticas  anatômicas modernas é observado em fósseis africanos que datam,  aproximadamente, entre 1,7 milhões de anos atrás a 200.000 a.C. Mudanças no tamanho e forma do crânio mostram que esses hominídeos tinham um cérebro maior e mais desenvovido. Embora fosseis do tipo Homo erectus tenham sido encontrados  primeiramente no Sudeste da Ásia e da China, o grupo africano pode ser considerado uma forma primitiva do Homo sapiens (homem racional), linhagem da qual derivam as primeiras populações de seres humanos inteligentes.



O surgimento dos Estados na África – de 900 a 1500 d.C




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        A história da humanidade registra, no período de 900 a 1500, o surgimento de novos Estados no norte da África. Os grandes impérios surgiram no Sudão Ocidental, com o estabelecimento de ligações comerciais com a África Negra. Na região ao sul do Equador, onde as consequências da dispersão dos bantos ainda tinham desdobramentos, desenvolveram-se  Estados ainda maiores.
        Dinastias muçulmanas estrangeiras (fatímidas, aiubitas e mamelucos) governaram o Egito e estimularam o comércio no Mediterrâneo Oriental, mar Vermelho e mar da Arábia. Após o declínio de Axum, este fluxo comercial forneceu a base econômica para a restauração do poder político do império cristão na Etiópia, primeiro no séc. XI, sob a dinastia Zagwe (língua euxita), e depois, no séc. XIII, sob os salomônicos (língua amárica), que mais tarde entraram em conflito com os Estados muçulmanos da costa do Chifre da África, em particular o de Adal. Por volta de 1000 d.C., o Magreb (noroeste da África) já estava havia mais de três séculos sob domínio do Islã e era a região dos impérios berberes dos almorávidas e dos almoadas (pág. 132).
        Entre 1000 a 1500, o Islã expandiu-se em direção ao sul: ao longo do Nilo até os reinos cristãos da Núbia; pelas costas setentrional e oriental do Chifre (que dava para o sul da Arábia); e através do Saara para o interior dos Estados do cinturão sudanês, do Senegal ao Nilo. Os mercadores e viajantes mulçumanos atravessavam o Saara com caravanas de camelos, partindo dos depósitos comerciais em uma das extremidades do deserto, como Sijilmassa, sul dos montes Atlas no Marrocos, e Walata, no Mali. O sal era essencial à alimentação nos países tropicais, portanto era transportado junto com artigos de luxo para a África Negra do sul.
        Em 1250, as economias do Oriente Médio muçulmano e da Europa cristão dependiam do ouro africano; em troca, artigos de couro e escravos iam para o norte. A expansão do comércio transaariano impulsionou os Estados do cinturão sudanês. Gana e Mali, dois dos maiores, foram criados por povos mandingas, que se espalhavam pelo oeste da África Ocidental. Gana foi fundada pelo grupo soniquê dos mandingas na área ao norte dos rios Senegal e Nigér e prosperou entre os séc.VIII e  sec. XI. Seu sucessor, Mali, fundado pelos mandingas malinquês, dispersou-se do Atlântico para além da grande curva do Níger.
        Em 1324, em peregrinação, o rei ali Mansa Musa foi a Meca e levou tanto ouro com seu séquito que a moeda corrente do Cairo acabou desvalorizada. O Império de Mali cedeu lugar ao de Songai, centralizado nas cidades de Gao e Timbuktu, ao longo do Níger. A oeste de Mali, ficavam as cidades-Estado dos hauçás; algumas delas – Zaria, Kano, Katsina – propsperaram, entretanto, não chegaram a formar sequer um único Estado Hauçá. Bem a leste do lago Chade ficava o Império Canure, fundado por povos desérticos em Kanem e por volta de 1300 centralizou sua política em Borno, a oeste do lago. Conhecidos como “Mais”, os reis canures criaram uma das dinastias mais longas da história até serem destronados, no séc. XIX.
        Já quase ao fim da Idade Média, aproveitando-se da crise na Europa Ocidental, os reinos negros do Sudão Central e Ocidental prosperaram. Vários reis africanos gozavam de grande reputação pela riqueza e realizações artísitcas de seus súditos, dentre eles Mansa Musa e Sonni Ali. Timbuktu e Jenne eram cidades-capitais eram muradas, suas universidades costumavam atrair aos eruditos e poetas. O poder político era uma resultante de forças militares e aliança com os líderes locais, a ponto de os juízes dispensarem a justiça e cabia à burocracia administrava controlar o comércio e cobrar os impostos.
        Ao sul dos Estados sudaneses, os mercadores hauçás e maliquês (mais tarde chamados dyula) negociavam com os povos à beira das florestas tropicais, principalmente nas regiões produtoras de ouro. Por volta de 1500, como  resultado de contatos com os habitantes do norte, sugiram os Estados de Oyo, Benin e Akan. Foi na baia de Benin que os primeiros marinheiros européus, principalmente portugueses, passaram a explorar as rotas marítimas perto da África Ocidental.
        Havia muitas cidades-Estado mulçumanas ao longo  da costa oriental, onde o povo e a civilização Suáli inseriram esta parte da África em um complexo comercial do oceno Índico. Kilwa Kisiwani prosperou como entreposto para o ouro do Zimbábue, trazido via sofala. A chegada de Vasco da Gama em 1498 deu início a usurpação européia no lucrativo sistema de comércio oceânico.
        Na metade meridional do continente, alguns povos africanos aglutinaram-se e formaram núcleos que se tornariam reinos. Ali, os agricultores trabalhando com ferro e pastores com culturas materiais (do fim da Idade do Ferro) formaram civilizações sofisticadas. Estados centralizados , com governadores tidos como sagrados, sugiram na região do Congo, ao sul do baixo rio Zaire, em Lubalnadia (Catanga ou Shaba), no Zimbárbue e na área entre os grandes lagos da África Oriental.


A riqueza dourada da África. A Europa Ocidental parou de cunhar o ouro como moeda corrente no início da idade média, mas as cidades-Estado italianas e os reinos espanhóis cristãos começaram a fazê-lo no século 13. Até cerca de 1350, pelo menos dois terços do fornecimento mundial de outro vinham da África Ocidental. Mansa Musa do Mali (aqui segurando uma moeda resplandecente no “Atlas Mundial” catalão de c.1375) simbolizava a riqueza dourada da África.
[Atlas da história do mundo, Folha de São Paulo; The Times, p. 134]
 

    








A comunicação na África medieval
        A África possuia poucos portos naturais ao sul do Saara, as linhas internas de comunicação para a passagem do comércio e de idéias mostraram-se mais importantes do que as rotas marítimas, com exceção do Mar Vermelho e de partes da costa da África Oriental. Nesse sentido, a história medieval da África foi bem diferente da história da Europa: os grandes impeérios da África que surgiram e prosperaram entre 900 e 1500 eram todos Estados do interior, em geral localizados no centro do continente; ao contrário da Europa, a África tendia a se desenvolver em direção ao interior.
            As rotas transaarianas (abaixo) . Mesmo com os camelos, introduzidos na África no período romano, atravessar o deserto continuava sendo algo arriscado. Se os bebedouros distantes secassem ou se os violentos povos independentes do deserto (os discretos tauregues) atacassem, caravanas interiras de centenas de homens e animais pereceriam. Os esqueletos deixados lembravam o perigo. Ainda assim, esse grande sistema comercial persistiu por muitos séculos.



Rotas transaarianas – África, período medieval.
Fonte: Atlas da História do Mundo.Folha de São Paulo; The Times, pp.272-273

A independência das colônias e a emancipação da África.

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        O grande poder da Eropa sobre a maior parte do continente africano parecia estar garantido até 1939. Entretanto, por no período de 40 anos o controle dos brancos restringiu-se a um “laager” sul-africano. As mudanças consequentes da Segunda Guerra Mundial, em geral acompanhadas por intensa conscientização política, fortaleceram o poder dos líderes africanos, naquele momento, empenhados no progresso social e político de seus países. Também foram importantes as mudanças ocorridas fora da África. Enquanto os EUA procuravam eliminar barreiras à ampliação de sua influência, a vitória dos aliados elevou o prestígio da URSS. Os liberais e socialistas da França e da Grã-Bretanha, favoráveis à causa africana, iniciaram programas de reformas sociais e políticas contrários aos interesses de alguns colonizadores.
        A partir de 1947, o início da Guerra Fria e a escasses de dólares apontaram para um ressurgimento do colonialismo; a repressão da França à rebelião em Madagascar evidenciou esse fato. Entretanto, movimentos nacionalistas desafiaram tais políticas, tanto que, em 1947, os tumultos em Acra e outras cidades da Costa do Ouro forçaram o governo britânico a iniciar reformas constitucionais, as quais permitiram o sucesso eleitoral da Assembleia do Povo de Kwame Nkrumaha, três anos depois. Na costa do Marfim, os conflitos levaram a França à tratativas de reconsciliação com a Assembleia Democrática Africana (até então, comunista).
        Em 1952, no norte da África, os movimentos naciionalistas muçulmanos foram incentivados pelo fim da monarquia egípcia e a ascenção de Gamal Abdel Nasser. No interim de 1953 a 1954, a Grã-Bretanha concordou em retirar suas tropas do canal de Suez e em apressar a independência do Sudão e, em 1956, a França reconheceu a independência de Marrocos e Tunísia. Contudo, na Argélia de 1954, a Frente de Libertação Nacional iniciou a guerra que se prolongaria  até a sua independência, em 1962. Ainda em 1956, a Grã-Bratanha  e a França (em acordo com Israel) invadiram a zona do canal de Suez para proteger seus interesses e garantir o poder na região. A estratégia não deu certo por causa da oposição dos EUA, da URSS e da ONU. No sul e no leste, os acontecimentos pós-guerra estimularam a eleição do governo nacionalistana África do Sul, encabeçado por D.F. Malan, estabeleceu-se o aparthaid, política de segregação racial da Repúb lica Afrikaner. No Quênia, cerca de 40 mil colonos  pretenderam impor seu domínio à Africa do Sul, mas os britânicos assumiram o combate à insurreição Mau Mau contra os colonos, após 1952.
        Na África Central, os ingleses criaram a federação da Nyasalândia e da Rodésia do Norte e do Sul, em 1953, porém a federação sucumbiu em 1960.
        Durante a década de 60 esse estado de euforia desapareceu. A economia africana mostrou-se frágil; rivalidades étinicas e conflitos  políticos e guerra civil repetiram-se no Zaire, na Nigéria, Angola, Guiné-Bissau, Moçambique etc. De 1962 à 1976, embora tenha tentado sufocar os conflitos,  o Reino Unido perdeu suas colonias na Africa: em 1962, a independência da Uganda ; em 1963, Zamzibar; em 1964, Malawi e Zâmbia. Em 18 de fevereiro 1965, a independência da Gâmbia do Reino Unido. Ainda em 11 de novembro 1965, a Rodésia declara-se unilateralmente independente  do Reino Unido, mas Zimbabwe só tem sua independência reconhecida internacionalmente em 17 de Abril de 1980, após a luta armada dos nacionalistas e a pressão de Portugal pela independência das colonias africanas. De 1966 a 1976 o Reino Unido perdeu de vez as suas colônias para a independência da África: Botwana (1966); Lesotho (1966); Maurícia (1968); Suazilândia (1968) e Seychelles (1976).
        Em 1968 foi a vez de Guiné Equatorial se libertar da colonização da Espanha. E em 1975 Camores   conseguiu a independência da França, embora fosse autônoma desde 1961, a ilha de Mayotte continuava sob a adminsitração francesa.
        Mas foi com o fim da ditadura, a partir de 1974, que Portugal abriu caminho para a independência de suas colônias africanas. Antes foi Guiné-Bissau (1973), depois seguiram-se Moçambique (1975), Cabo verde (1975), São Tomé e Píncipe (1975, Angola (1975).
        A África do Sul ainda tentou se proteger fortalecendo o controle ilegal sobre a Namíbia e concedendo às reservas de mão-de-obra sul-africana, conhecida como bantustões, uma independência aparente. “Mas no fim da década de 80 estava claro que o apartheid não sobreviveria. O acontecimento-chave foi a libertação de Nelson Mandela, em fevereiro de 90, e a abertura de negociações com o Congresso Nacional Africano”, conforme o “Atlas da história do mundo”(1995).
        Contudo, as perspectivas econômicas imediatas eram insatisfatórias para os novos países. Para alguns, a exploração de petróleo e outros minerais ajudaram, mas a população crescia e os recursos destinados a produção  de alimentos foram desviados para atender aos fins econômicos do desenvolvimento precário. Os governos eleitos se mostraram incapazes de controlar  a pobreza, a corrupção e as rivalidades étnicas,  assim, foram substituidos por ditaduras militares ou regimes de partido único. De modo que, ao final da década de 1980 e início de 1990, a  grande e sofrida África, mãe da humanidade, se apresentava caótica, sozinha para resolver os problemas da seca, da miséria, das guerras internas e das questões dos refugiados.                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                     


República Democrática de São Tomé e Príncipe

         São Tomé e Príncipe é um países do Continente Africano,  um dos membros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP). Localiza-se no Golfo de Guiné e é composto por duas ilhas principais (São Tomé e Príncipe) e várias ilhotas, ocupa uma área de 1.001 km², e tem cerca de 160 mil habitantes. É um Estado insular, isto é, não tem fronteiras terrestres, mas está próximo do arquipélogo Costas do Gabão, Guiné Equatorial, Camarões e da Nigéria. Segundo os historiadores, as ilhas de São Tomé e Príncipe estiveram desabitadas até 1470, quando os navegadores portugueses João de Santarém e Pedro Escobar as descobriram. Desde então, tornaram-se colónias de Portugal, até que conseguiram a independência e toranram-se Estado, em 12 de julho de 1975.

  
 

 Brasão de armas de São Tomé e Príncipe           Fonte: Wikipédia, a enciclopédia livre.

            O Brasão de Armas de São Tomé e Príncipe é constituído por um falcão à esquerda e um papagaio à direita segurando um brasão ovular que contém no seu interior uma palmeira. No topo do brasão, uma fita com a denominação oficial do país: República Democrática de São Tomé e Príncipe. Na base, outra fita com o lema nacional: Unidade, Disciplina, Trabalho.
            A  Bandeira de São Tomé e Príncipe,  adoptada em 5 de Novembro de 1975.  Nela,  o  triângulo vermelho simboliza a  luta pela independência; as duas estrelas negras representam as principais ilhas do país, São Tomé e a de Príncipe. O verde, o amarelo e o preto são as cores Pan-Africanas.

Os símbolos da República de São Tomé e Príncipe

República Democrática de São Tomé e Príncipe
Lema: Unidade, Disciplina, Trabalho
Gentílico: são-tomense
 Independência de Portugal

 - Total
1 001 km² (183º)

 - Estimativa de 2005
157 000 hab. (188º)
 - Urbana
58% hab. (º)
156,84 hab./km² (65º)
PIB (base PPC)
Estimativa de 2006
 - Total
US$ 214 milhões (218º)
US$ 1.266 (205º)

 - IDH (2007)
0,654 (123º) – médio
68,8/64,6 anos (º)
75 / mil nasc. (º)
+3h (UTC)
+239

A política de São Tomé e Príncipe

        Segundo os historiadores, as  ilhas de São Tomé e Príncipe estavam  desabitadas até a chegada dos navegadores europeus João de Santarém e Pedro Escobar, em 1470. Ali postaram a bandeira de Portugal e transformaram as ilhas em colônias portuguesas. Lá se desenvolveram a língua lusófona e a cultura agrária.    
        A cana-de-açúcar foi introduzida nas ilhas no século XV, mas a concorrência brasileira e as constantes rebeliões locais levaram a cultura agrícola ao declínio, no século XVI. Diante da decadência da cultura açucareira, as ilhas passaram a entrepostos de escravos.
                                                                                                      Em uma das várias rebeliões locais, o escravo  denominado Amador passou a ser considerado herói nacional, porque conseguiu controlar cerca de dois terços da ilha de São Tomé reestimulando a agricultura. Porém, a agricultura tornou-se cultura desenvolvida no arquipélago com o cultivo de cacau e café apenas no século XIX.
        Durante estes dois séculos do Ciclo do Cacau, criaram-se estruturas administrativas complexas. A burocracia criou vários serviços públicos e um Chefe de serviços. Entretando, as decisões tomadas pelo Chefe de Serviços deveriam  ser sancionadas pelo Governador da Colônia. Este,  para legislar precisava do auxílio de um Conselho de Governo e de uma Assembleia Legislativa. Por muitos anos o governador foi o comandante-chefe das forças armadas, até que se criou um Comando Independente, rebeldes travaram uma luta armada contra o domínio do governador comandante. Fora da sua alçada encontrava-se a Direção-Geral de Segurança (DGS). O Chefe de serviços viajava periodicamente à Lisboa, para levar informações ao Governo da  colonia e dele trazer instruções.

O palácio presidencial de São Tomé e Príncipe


        A colônia fora dividida em dois conselhos e em várias freguesias, um para a ilha de São Tomé e outro para  a ilha do Príncipe. Como representante  do Governo, o administrador do Conselho tinha largas atribuições.
        Mas, em 1960, surgiu  um grupo nacionalista opositor ao domínio português. Em 1972, o grupo deu origem ao Movimento de Libertação de São Tomé e Príncipe (MLSTP), com orientação marxista. Assim, em 1975, após quase 500 anos de colonização Portugal, o arquipélago consegue a independência como país com a implementação de um  regime socialista de partido único, sob a alçada do MLSTP. Dez anos após a independência (1985), inicia-se a abertura econômica do país.
        Em 1990, adota-se uma nova constituição, que instituiu o pluripartidarismo em São Tomé e Principe. No ano seguinte, apresentaram o Partido de Convergência Democrática - Grupo de Reflexão (PCD-GR) como grande vencedor das eleições, pois foi ele a conquistar a maioria das cadeiras. Para a presidencia, apenas a cadidatura de Miguel Trovoada, ex-primeiro-ministro do país que estava exilado desde 1978. Sem adversários, Trovoada foi eleito para o cargo. Em 1995, foi instituído um governo local para a  ilha do Príncipe composto de cinco membros. Nas eleições parlamentares de 1998, o MLSTP incorpora no seu nome PSD (Partido Social Democrata) e conquista a maioria no Parlamento, o que tornou possível ao partido indicar o primeiro-ministro.

Partidos Políticos
  • MLSTP-PSD: Movimento de Libertação de São Tomé e Príncipe – Partido Social Democrata
  • ADI: Ação Democrática Independente
  • PCD-GR: Partido de Convergência Democrática – Grupo de Reflexão
  • MDFM: Movimento Democrático Força de Mudança (Partido criado por Fradique de Menezes)
  • Outros partidos sem representação parlamentar

Poder Legislativo
  • Unicameral – Assembléia Nacional, com 55 membros
  • Constituição: 2003

Subdivisões
        São Tomé e Príncipe é uma nação constituída por duas ilhas principais e alguns ilhéus. Administrativamente está dividida em sete distritos. Em 2004, estimava-se 139.000 habitantes.
        A Ilha de São Tomé, tem uma população estimada em 133.600 habitantes (em 2004) numa área de 859 km². Tem como capital a cidade de São Tomé.
        A Ilha do Príncipe, cuja capital é Santo Antônio, é a ilha menor do arquipélogo, com uma área de 142 km² e uma população estimada em 5.400 habitantes (em 2004). Desde 29 de Abril de 1995 que a ilha do Príncipe constitui uma região autônoma.
        O ilhéu das Rolas fica a poucos metros ao sul da ilha de São Tomé, e apresenta a particularidade de ser atravessado pela linha do Equador.
        Embora a Constituição determine que os governos distritais autarquias sujeitas a eleições, até ao momento, eleições de autarquias não se realizaram em São Tomé e Príncipe.

Distritos de São Tomé e Príncipe
Ilha de São Tomé :
Água Grande (1)
Cantagalo (2)
Caué (3)
Lembá (4)
Lobata (5)
Mé-Zóchi   (6)
Ilha do Príncipe
Pagué (7)



Geografia
       
 As ilhas de São Tomé e Príncipe ficam situadas junto à linha do Equador e a cerca de 300 km da costa Ocidental de África. Todo o arquipélago está inserido no rifte da linha vulcânica dos Camarões.














Demografia

Evolução demográfica de São Tomé e Príncipe.



São Tome and Principe


Da população total de São Tomé e Príncipe, cerca de 131 mil pessoas  vivem em São Tomé e seis mil em  Príncipe; descendem de vários grupos étnicos que emigraram para as ilhas desde 1485.
As ilhas foram colônia Portugal. Na década de 1970 houve dois fluxos populacionais significativos — o êxodo da maior parte dos 4.000 residentes portugueses e o influxo de várias centenas de refugiados vindos de Angola. Os ilhéus foram influenciados pela cultura portuguesa e formaram uma cultura própria, luso-africana. A religião predominante é o Cristianismo, as igrejas,  Católica Romana, Evangélica, Nazarena, Congregação Cristã ou Adventista do Sétimo Dia, que, por sua vez, mantém laços estreitos com as igrejas em Portugal. 95% da população fala português, mas três idiomas crioulos.
População Urbana - 40% (a cidade de São Tomé, com cerca de 51 mil habitantes, é o único centro urbano do país)
População Rural - 60%



Clima

Ficheiro:Sao tome forest.jpg
Floresta de São Tomé
Fonte: Wikepédia


        São Tomé e Príncipe tem um clima do tipo equatorial, quente e húmido, com temperaturas médias anuais que variam entre os 22°C e os 30°C. É um país com uma multiplicidade de microclimas, definidos, principalmente, em função da pluviosidade, da temperatura e da localização. A temperatura varia em função da altitude.

  
            Na opinião dos ecoturistas, São Tomé e Príncipe é um dos últimos paraísos da terra, um estado que é formado por duas ilhas - São Tomé e Príncipe - as quais ficam situadas a 800 quilômetros da costa oeste africana, no golfo da Guiné.
            A ilha principal tem 35 x 50 quilômetros de extensão e o seu nome  é o mesmo da capital: São Tomé. Lá os 35.000 são-tomenses habitantes em paz e com segurança já ha muitos anos. A língua oficial é o português-crioulo, porém o entendimento em línguas estrangeiras é realizado sem problemas.
            É difícil imaginar que haja paz e segurança na África do oeste, mas em São Tomé e Príncipe há. Há cerca de 25 anos o exército conta com apenas 200 soldados e mesmo assim é capaz de realizar tarefas representativas e garantir a paz do paraíso.
            São Tomé e Príncipe tem apostado no turismo para o seu desenvolvimento, mas a recente descoberta de jazidas de petróleo nas suas águas abriu novas perspectivas para o futuro.


Ficheiro:Sao tome fish.jpg
 A actividade pesqueira continua a ser uma das principais actividades económicas do país.


 
                                          


                                                                                                                                                                                                                                                                                                                            
           
As ilhas de São Tom e Príncipe são para os individualistas. Seja cientista, turista ou investidor. Para qualquer comerciante com interesse na África, qualquer historiador ligado à época colonial. Para os turistas que gostariam de visitar a África, porém receiam as imponderabilidades e os riscos dos estados instáveis da terra firme da África. Para qualquer viajante de pacote de férias, que gostaria de descobrir uma ilha para se mesmo. Para alpinistas e os que gostam de fazer longas caminhadas nas montanhas africanas de mais de 2000 metros de altura (antigos vulcões, como por exemplo: o Pico de São Tomé com 2024 m). Para mergulhadores, os quais sempre estão na procura de lugares não descobertos. Para agências de viagens que almejam hotéis e comerciantes alemães, como também um banco alemão em São Tomé (abaixo seguem mais informações). Para pessoas que gostam de aventuras, velejadores, surfistas, professores de geografia e para quem "conhece a África como a palma da mão"...
            Os São-tomenses foram acordados pela União Européia, pelos conselheiros da economia e pelos investidores alemães. Além disso, os Centros da África Ocidental da ONU e da "Voice of America" mudaram-se para a ilha segura de São Tomé, uma emissora nova da VOA foi instalada.
            "O que faz São Tomé e Príncipe tão seguro ?" Primeiramente, o estado de São Tomé e Príncipe tem só 133.000 habitantes, a república é regida por um parlamento democraticamente eleito com o Senhor Presidente e os Ministros.
            A infra-estrutura da ilha é variada. Ainda existem cem quilômetros de ruas asfaltadas da época colonial portuguesa, recomenda-se um jeep nesta região.
            O sistema de hotelaria oferece um dos melhores hotéis da ilha, o Hotel Miramar, de quatro estrelas,  inaugurado no junho de 1997 (serviço de 24 horas, ar-condicionado em todos os quartos, uma linda piscina, etc.) Gerenciado por um alemão com experiências na África, e com uma excelente cozinha e serviço. Os preços são moderados (a partir de 80 dólares, sendo aceito também em Dobra, a moeda nacional)
            São Tomé é um país felizardo da África, é uma entrada destacada para a África Ocidental, onde as portas do futuro se abrem. São Tomé, como um dos estados mais seguros na entrada do continente, dispõe de um aeroporto bem equipado (com iluminação noturna e com pista longa) e fácil a ser atingido, pelos pilotos, principalmente do Airbus da TAP.
            Aliás, a produção do café e do cacau está sendo de novo desenvolvida. Por sinal, no fim do século passado, São Tomé e Príncipe foi o maior produtor de cacau do mundo. Além disso, cresce lá, na região do equador e no clima marítimo o café mais desejado e caro do mundo. O mais famoso, o café "Monte Café" é vendido quatro dólares a mais do preço mundial, o qual é aproximadamente USD 1,60. A coleta dos próximos dez anos já são  reservadas.
Além de tudo, São Tomé é um paraíso de férias, mais selvagem do que Caboverde, mais bonito do que a Ilha de Maurícia, e pelos Europeus mais perto do que o Caribe - e com doze meses de sol.
            As ilhas atraem com as suas praias lindas, com as melhores possibilidades de mergulho e de velejar, com as matas selvagens e montanhas em um agradável clima tropical.
            A atividade pesqueira continua a ser uma das principais actividas econômicas do país. Afora tudo isso, o país continua a manter relações, agora do comércio bilateral, com seu antigo colonizador, Portugal.


Fonte: Wikipedia - A catedral de São Tomé e Príncipe Fonte
           
            As manifestações religiosas em São Tomé e Principe são complexas e têm origem nos mais variados credos, devido as influências dos diversos colonizadores da África. Distinguem-se contudo, duas tendências religiosas acentuadas: a animista e a católica.


Cultura

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No folclore santomense são de destacar a sobrevivência de dois autos renascentistas (século XVI): " A Tragédia do marquês de Mântua e do Príncipe D. Carlos Magno", denominado localmente de "Tchiloli" e o "São Lourenço" (por ser representado no dia deste santo) e que é idêntico aos "Autos de Floripes"[1] que ainda hoje é representado na aldeia das Neves, perto de Viana do Castelo.
            A Cena Lusófona editou um livro, Floripes Negra, em que Augusto Baptista, ensaísta e fotógrafo, faz um levantamento sobre as origens do "Auto da Floripes" e as suas ligações com Portugal.






Considerações finais
         A literatura africana lusófona parece-nos um tanto sofrida e nostálgica, assim como a música que possui o rítmo forte dos tambores, as as letras exprimem saudade e melancolia. Pode-se entender que os intelectuais dos países africanos lusófonos estejam empenhados na árdua tarefa de resgate de uma cultura que foi soterrada durante anos a fio, mas deixam claro que tem paciência para esperar, com o tempo resgatarão tudo o que sua cultura tem de maior valor e força. Neste sentido, é preciso ressaltar a importância da língua portuguesa para esse resgate e para a propagação dessa cultura.
            A independência desses paises lusófonos é recente. Atualmente, ainda vivem em um ambiente de explosões sociais, crises políticas, fragmentações e guerras internas. Até 1974, os principais territórios ainda eram colônias européias, as chamadas províncias ultramarinas de Portugal. A primeira a se libertar do colonialismo  português foi Guiné-Bissau, em 1973. Angola, Moçambique, Cabo-Verde,  São Tomé e Príncipe só alcançaram sua independência em 1975, com a queda do salazarismo em Portugal. Até então, ainda lavravam outras guerras, as de libertação, conduzidas por vários agrupamentos de guerrilherios.
            Assim, colhemos algumas referências de autores da literatura lusófona que precisamos estudar posteriormente, como didática para nosso entendimento da cultura lusófona: Dentre eles, Mia Couto,  o poeta Craveirinha e seu poema “Quero ser tambor” ( Este, deve ter um especial significado, nos leva a curiosidade de saber a explicação do próprio autor sobre o por que  “ele quer ser tambor”); o angolano Agostinho Neto, com suas poesias “Noite e Sinfonia”; Calos Soromenho, com seu conto “O lago enfeitçado”; Jofre Rocha, com sua poesia “O Combate” e com o conto “O drama de Vovó Tutúri”; os caoverdeanos Aguinaldo Fonseca, com sua poesia “Herança”; Jorge Tolentino, com seu conto “A chefe”;  Orlando Amarilis, com seu conto “Luisa – filha de Nica”; os guineenses Antonio Baticã Ferreira, com suas poesias “País Natal e Mãe Negra”; Carlos d’Álmada, com suas poesias “O silencio” e “Carta”; os santomenses Carlos Espírito Santo, com sua poesia “A puíta” Frederico Anjos com sua poesia “Um grito diferente” e o moçambicano Antonio Emília Couto, com seus contos “Jorojão vai embalando lembranças e “O perfume”.
            Além dessa obras, tivemos notícias de uma coletânea de “Contos Santomenses (1984) que precisamos pesquisar para fecharmos esses estudos sobre  a grande mãe África, parideira dos homens, que,  hoje, um grande continente, nos aparece como uma ninfa virgem a espera da sensibilidade humana  capaz de cultuar sua beleza e suas artes. 

REFERENCIAS  BIBLIOGRÁFICAS
___“Atlas da História do Mundo”.  Folha de São Paulo, encartes das edições de domingo , de 12 de março a 22 de outubro de 1995.
ELIAS, Silvio. “A língua portuguesa no mundo”. 2ª. Ed. São Paulo: Ática, 1998 (Princípios)

INTERNET


[1] ___ “Atlas da História do Mundo”.  Folha de São Paulo, encartes das edições de domingo , de 12 de março a 22 de outubro de 1995.

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